Brasil e Angola nos cinco primeiros lugares do investimento chinês no Atlântico Sul na última década

13 June 2016

O Atlântico Sul, em que se inserem 5 países de língua portuguesa, tem sido privilegiado pelas principais empresas da China no seu esforço de globalização e Angola e Brasil estão nos cinco primeiros lugares dos destinos do capital chinês na última década, afirma um estudo recente.

Em “O Mapa de Risco da China no Atlântico Sul”, do German Marshall Fund dos Estados Unidos, o investigador Jonas Parello-Plesner estima, com base em dados do American Entreprise Institute (https://www.aei.org/), que o investimento chinês no Brasil tenha rondado 34 mil milhões de dólares entre 2005 e 2014, de longe o nível mais elevado de todos os países da região.

Com 13,75 mil milhões de dólares, Angola surge na 5ª posição, atrás de Nigéria (28,75 mil milhões de dólares), Venezuela (22,11 mil milhões de dólares) e Argentina (14,31 mil milhões de dólares) e fica mesmo à frente da África do Sul (9,55 mil milhões de dólares).

Na lista surge outro país membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a Guiné Equatorial, com 2,3 mil milhões de dólares, de acordo com o texto a que a agência Macauhub teve acesso.

Angola, onde o número de chineses residentes foi recentemente estimado em 200 mil, é um dos países destacados no estudo, que analisa a situação política dos países privilegiados pela China nos seus investimentos e das implicações para a segurança chinesa.

Parello-Plesner afirma que o abrandamento da economia angolana devido à quebra dos preços do petróleo tornou “ainda mais importantes” para o país africano “as relações políticas com a China e o apoio financeiro vital” que tem vindo a ser disponibilizado.

A investigadora de relações sino-angolanas Lucy Corkin estimou em 14,5 mil milhões de dólares os empréstimos concedidos pela China a Angola, mas outras estimativas apontam para valores mais próximos de 20 mil milhões de dólares, em grande parte garantidos por petróleo.

Após as recentes quebras de exportações do Sudão, Angola solidificou-se como o maior fornecedor de petróleo à China, aponta o investigador.

Numa altura em que Angola enfrenta dificuldades para se financiar, a Linha de Crédito da China, utilizada para pagar 155 projectos públicos com 5,2 mil milhões de dólares, tem sido uma importante fonte de dinamização da economia, privilegiando o sector da energia e águas com 2,17 mil milhões de dólares para 34 projectos.

Para 33 projectos no sector da construção destinam-se 1,64 mil milhões de dólares e para a educação 55 projectos, num investimento de 373,3 mil dólares, segundo dados recentemente divulgados pela LCC.

As adjudicações de muitas destas obras têm vindo a ser publicadas no jornal oficial nas últimas semanas, nomeadamente redes de abastecimento de água e na reparação de estradas, a realizar nas províncias do Bengo, Bié, Huambo, Namibe, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Malanje e Uíge, com um custo global de 550 milhões de dólares.

Por exemplo, a China Railway 20 Bureau Group Corporation foi contratada para reparar a estrada Catchiungo/Chinhama, no Huambo, por 58,4 milhões de dólares e para construir um sistema de abastecimento de água à cidade de Cuíto por 39,2 milhões de dólares.

Durante a última semana de Maio, o governo angolano adjudicou a empresas chinesas 30 empreitadas de obras públicas por mais de 1,6 mil milhões de dólares, incluindo a construção do novo sistema de abastecimento de água de Mucari, na província de Malanje, adjudicada à China Petroleum Pipeline Bureau por 18 milhões de dólares. (Macauhub/AO/BR/CN)

MACAUHUB FRENCH