Adesão de Brasil e Portugal ao Banco Asiático de Investimento abre caminho a projectos conjuntos nos países de língua portuguesa

8 April 2015

A adesão do Brasil e de Portugal ao Banco Asiático de Investimento em Infra-estruturas (BAII) abre caminho a projectos conjuntos com a China em países asiáticos como Timor-Leste, mas também na África de língua portuguesa.

Portugal, um dos poucos países europeus que tem o estatuto de parceiro estratégico da China, e o Brasil, grande parceiro comercial da China, pediram ambos adesão ao BAII na semana passada, decisão imediatamente saudada pelas autoridades chinesas.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português refere que “a participação de Portugal [no BAII] poderá criar melhores condições para as empresas portuguesas que participam em projectos na região asiática, região com a qual Portugal tem vindo a intensificar as suas relações económicas e comerciais.”

A participação financeira de Portugal no capital do banco, estimado inicialmente em 50 mil milhões de dólares, será “uma gota de água” relativamente ao que outros países vão aplicar, de acordo com o matutino português Diário de Notícias.

O jornal adiantou, citando fontes do governo português, que seria “estranho” que Portugal ficasse à margem, dada a “pouca consideração” que tem sido demonstrada a nível diplomático pelos Estados Unidos da América, que fizeram “lobby” pela não-adesão de parceiros seus ao BAII.

O principal problema diplomático entre os Portugal e os Estados Unidos da América é o quase abandono norte-americano da base aérea das Lajes, que deverá ter um impacto económico e social significativo no arquipélago dos Açores.

As mesmas fontes contrastam esta situação com o forte afluxo de investimento chinês nos anos recentes, que permitiram a Portugal superar uma crise aguda, o que tem sido publicamente reconhecido tanto pelo governo como pelo maior partido da oposição.

Em cima da mesa está actualmente aquele que pode ser o maior dos investimentos chineses em Portugal até à data, no Novo Banco, devendo rondar 5 mil milhões de euros, de acordo com analistas.

Através das agências estrangeiras, a China saudou o pedido apresentado por Portugal, que deverá ser aprovado formalmente nas próximas semanas, tornando-se o país, já a partir de 15 de Abril, membro oficial do BAII, que entrará em funcionamento até ao final do ano.

O banco, visto de forma geral como uma instituição paralela ao Banco Mundial, está virado para investimentos em projectos de energia, transportes e comunicação em países de poucos recursos ou emergentes, lote em que se inclui Timor-Leste e os países africanos de língua portuguesa, onde operam centenas de empresas chinesas e portuguesas.

Na sexta-feira, o gabinete da presidente Dilma Rousseff confirmou que o Brasil também aceitou o convite da China para participar como membro fundador do BAII.

“O Brasil tem todo o interesse de participar na iniciativa, que tem por objectivo garantir financiamento para projectos de infra-estruturas na Ásia”, informou o Palácio do Planalto.

A criação do BAII foi anunciada em 2014 na cidade brasileira de Fortaleza, na conclusão da reunião BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), estimando-se que o seu capital possa ser aumentado até 100 mil milhões de dólares.

Entre os fundadores estão potências asiáticas como a Índia, Indonésia, a que se juntaram Taiwan e Coreia do Sul e Austrália, mas não o Japão, que contudo admitiu juntar-se à instituição no futuro.

Entre os países europeus que aderiram estão a Alemanha, Reino Unido, Suíça, França, Rússia, Espanha e Itália e Israel. (Macauhub/BR/PT)

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