Cabo Verde e Moçambique entre os países africanos mais favoráveis aos interesses da China

Cabo Verde e Moçambique estão entre os países africanos mais favoráveis aos interesses económicos e políticos da China, valorizando principalmente o investimento em infra-estruturas e os negócios, de acordo com a primeira sondagem sobre o tema feita em África.

A sondagem Afrobarometer, que revela em geral um acolhimento positivo dos africanos aos interesses chineses, coloca, no capítulo sobre o acolhimento em relação à influência económica e política da China, Cabo Verde em 5º lugar, com 78% de opiniões positivas e apenas 5% de negativas.

Também neste capítulo, Moçambique surge acima da média, com 65% de opiniões positivas e apenas 9% de negativas e no terceiro país de língua portuguesa incluído no estudo, São Tomé e Príncipe, o saldo de opiniões também é altamente favorável – 53% positivas e 6% negativas – apesar de não existirem relações diplomáticas entre o arquipélago e a China.

“Em particular, os investimentos que efectua no desenvolvimento de infra-estruturas e negócios, bem como os seus produtos de baixo custo, contribuem para percepções positivas da China”, refere o estudo.

“A maioria (dos africanos) valoriza a ajuda ao desenvolvimento prestada pela China e vê a sua influência como mais compensadora do que prejudicial às perspectivas de desenvolvimento dos respectivos países”, adianta.

Cabo Verde também está entre os países onde é maior a influência percebida pelos seus cidadãos: 78% dizem ser significativa e apenas 9% reduzida.

No caso de Moçambique, 68% dos entrevistados identificam uma influência significativa e 11% reduzida, resultados superiores aos registados em São Tomé e Príncipe, o último nesta classificação, com 17% apontando para uma reduzida influência e 43% em sentido oposto.

Quanto às principais influências externas identificadas, todos os países de língua portuguesa estão abaixo da média quanto à influência da China.

Entre os cidadãos destes países, os moçambicanos (52%) são os que identificam uma maior influência chinesa (face a apenas 8% dos Estados Unidos e 5% da antiga potência colonial, Portugal), seguidos dos são-tomenses (24% China, 17% de Portugal) e dos cabo-verdianos (25% de Portugal, 27% da China e 31% dos Estados Unidos).

Em relação à percepção de China e Estados Unidos como modelos de desenvolvimento, os moçambicanos mostram-se fortemente favoráveis ao modelo chinês (36%, face a 15% de preferência pelo norte-americano, os são-tomenses divididos, com uma ligeira preferência pelo norte-americano e os cabo-verdianos fortemente favoráveis ao norte-americano.

“Para os africanos, a China rivaliza com os Estados Unidos em influência e em popularidade enquanto modelo de desenvolvimento”, refere o estudo.

“Apesar de críticas frequentes nos media aos interesses chineses em África, adianta, os africanos vêem o aparecimento da China como uma adição positiva ao terreno de jogo económico.” (Macauhub)

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