China e Brasil bem posicionados para impulsionar agricultura em África

14 March 2016

A China e o Brasil são dois países que estão bem posicionados para impulsionar a agricultura em África, sector cujo crescimento é encarado como vital para o desenvolvimento do continente, de acordo com analistas.

Um artigo publicado na semana passada pelo Institute for Development Studies aponta como indicação do “aumento da influência da China e do Brasil em África” a recente abertura do escritório de Joanesburgo do Novo Banco de Desenvolvimento, anteriormente conhecido por Banco de Desenvolvimento dos BRICS, que deverá começar a conceder crédito já em Abril.

A agricultura, refere o mesmo artigo, é uma “grande área de envolvimento para a China e Brasil no continente”, e ambos os países estão “particularmente bem posicionados para ajudar os países africanos a desenvolver os seus sectores agrícolas.”

“A China oferece parcerias favoráveis a ambos os lados com pragmatismo sem paralelo, que são muito bem recebidas como alternativa a uma indústria de assistência cada vez mais obsoleta. O Brasil oferece tecnologia tropical, que tem reputação de ser bem adaptada aos climas e solos de África”, adianta.

O envolvimento de ambos os países no sector agrícola em Moçambique é abordado pelos investigadores Kojo Amanor e Sérgio Chichava num artigo publicado em Fevereiro, em que afirmam que a cooperação Sul-Sul é cada vez mais vista como capaz de “facilitar e complementar outras fontes de assistência”, criando condições para um aumento da cooperação “multilateral e multipolar.”

“O desenvolvimento agrícola é uma componente importante das relações da China e do Brasil com os Estados africanos. Ambos os países estão entre os cinco maiores produtores agrícolas do mundo (…), têm sectores de agro-negócio poderosos que operam nos mercados globais e se expandem através de fusões e aquisições”, afirmam.

O envolvimento de ambos os países em Moçambique tem sido muito estudado, dada a importância de alguns apoios prestados – um empréstimo bonificado de 50 milhões de dólares (2010) para construção de 3 fábricas de processamento (algodão, arroz e milho) e uma linha de crédito de longo prazo do Banco de Exportações e Importações (ExIm) da China (60 milhões de dólares, 2012) para um complexo agro-pecuário no distrito de Chokwé.

Segundo os investigadores, a cooperação chinesa no sector usa “duas avenidas” – o Centro de Investigação e Transferência de Tecnologia Agrárias do Umbelúzi (CITTAU), criado em 2011, que faz testes e adaptação de sementes, além de prestar formação e contratos de fornecimento entre empresas chinesas e agricultores locais.

As principais empresas envolvidas são a Wanbao Africa Development Agriculture Limited (WAADL), considerada pelo Banco de Desenvolvimento da China como a empresa chinesa com maior actividade no continente, Lianhe Africa Agriculture Development Company, China–Africa Cotton Mozambique Ltd. (CACM), Sunway International, China Africa Agriculture Co, Agricola CCM e Hubei Lianfeng.

“Baseando-se em envolvimentos a longo prazo, a cooperação para o desenvolvimento e investimento agro-industrial em Moçambique expandiu-se nos últimos anos. Tomar conta de velhas explorações agrícolas estatais, incentivando sementeiras de diversas colheitas, para colmatar défices alimentares locais, é prioritário. Isto tem tido um forte apoio chinês”, e a expansão “deverá continuar”, afirmam.

Já as iniciativas brasileiras em Moçambique, tal como no Gana, estão, adiantam, “estruturadas em torno da protecção social, transferência de tecnologia e exportação de produtos agro-industriais brasileiros.”

Para os investigadores, Moçambique favorece investimentos em larga escala e há maior cabimento para aquisição de terras por empresas chinesas e brasileiras. (Macauhub/BR/CN/MZ)

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