China tem tido um papel “vital” na consolidação económica de Angola

27 December 2010

Luanda, Angola, 27 Dez – O investimento chinês em Angola está a ter um papel “vital” na consolidação da economia do país, além de um impacto positivo nas condições de vida de muitos angolanos, afirmou o investigador Phillippe Asanzi, da universidade sul-africana de Stellenbosch.

Na mais recente edição do boletim do Centro de Estudos Chineses daquela universidade sul-africana, China Monitor, Asanzi afirma que o sucesso de Angola na gestão recente das suas políticas macroeconómicas não se deve só aos investimentos de Pequim, mas está fortemente ligado a eles e às importações de petróleo angolano pela China.

“A avaliação geral é que os investimentos chineses tiveram um impacto positivo considerável na economia angolana. Nos últimos anos, a China tornou-se num grande actor na indústria petrolífera de Angola”, refere o investigador no documento a que o macauhub teve acesso.

Hoje, sublinha, 45 por cento do petróleo angolano tem como destino a China, a grande economia que mais tem aumentado o seu consumo petrolífero.

O aumento das exportações para a China, conjugada com os elevados preços do petróleo nos mercados internacionais, permitiram nos últimos anos que as receitas públicas angolanas aumentassem de forma significativa, bem como as reservas de moeda estrangeira, sublinha.

Esta tendência foi interrompida no ano passado e mesmo em 2010 a produção tem sido afectada por problemas técnicos, mas dados recentes divulgados pela revista Economist apontam para uma subida contínua da produção de petróleo, que deverá impulsionar o crescimento económico e as receitas do Estado.

Assanzi sublinha que o aumento de receitas tem permitido a Luanda reduzir o défice orçamental e estabilizar o nível de inflação, de cerca de 18,5 por cento em 2005 para perto de 12 por cento desde 2006.

“Os investimentos chineses em Angola, especialmente os no sector da construção, tiveram de forma geral um impacto positivo na economia angolana, bem como na população”, sublinha.

Os créditos chineses, avaliados em mais de 10 mil milhões de dólares, asseguraram a reconstrução do país desde 2002, e permitiram que empresas de construção chinesas ganhassem forte presença no mercado angolano.

As empresas de Pequim também investiram consideravelmente nos sectores das telecomunicações, automóveis, pescas e energia.

A indústria petrolífera é “emblemática”, afirma Asanzi, dada a dimensão do investimento, nomeadamente a aquisição de participações pela Sinopec em três blocos do “off-shore” angolano.

Para o investigador, há ainda “imperfeições” a corrigir na relação económica e comercial sino-angolana, em particular na criação de emprego angolano em grande escala, estímulo das economias locais e transferência de tecnologia chinesa.

Estas imperfeições estão muitas vezes ligadas a factores internos, nomeadamente a natureza do poder político em Luanda, mas Pequim deve fazer mais, segundo o investigador.

Para já, defende, o envolvimento económico da China tem um “impacto positivo no nível de vida de (parte da) população angolana”. (macauhub)

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