China aumenta importações de petróleo de Angola

3 August 2015

A China está a aumentar significativamente as importações de petróleo de Angola, o seu segundo maior fornecedor desta matéria-prima, em detrimento do principal fornecedor, a Arábia Saudita.

Com a recente dinâmica do preço do petróleo a tornar mais barato o produto africano, cujo barril segue a cotação da variedade Brent, a China aumentou em Julho em 41% as aquisições de petróleo a países africanos, para 6,51 milhões de toneladas (47,5 milhões de barris), de acordo com estimativas divulgadas na semana passada pela Thomson Reuters.

A mesma fonte indica que o “grosso do aumento” teve como origem Angola, o principal fornecedor africano de petróleo à China, que em Julho terá exportado 3,4 milhões de toneladas para o segundo maior mercado mundial.Para Angola, referem os analistas da Thomson Reuters, “o grande impulso nas exportações para a China em Julho será uma alteração bem-vinda, uma vez que no primeiro semestre de 2015 tinham perdido para a Rússia o segundo lugar” entre os principais fornecedores chineses, atrás da Arábia Saudita.

Segundo dados das alfândegas chinesas, as importações de petróleo angolano caíram quase 9% no primeiro semestre, para 19 milhões de toneladas, enquanto as de petróleo russo subiram quase 27% e saudita mais de 9%.

A dinâmica dos preços leva agora a um encolhimento da quota russa e saudita, cujo petróleo não segue a cotação do Brent, como o de Angola, que tem vindo a descer em relação a outras referências do mercado.

No ano passado, as exportações de petróleo angolano pela China atingiram o valor mais alto de sempre – 806 milhões de barris – enquanto as de petróleo saudita recuaram cerca de 9%, para 989 milhões de barris.

Os contractos de fornecimento de longo prazo à China, que começaram a ser estabelecidos sobretudo a partir de 2002, têm vindo a ser considerados uma “almofada” financeira para Angola na actual conjuntura de descida de preços, devido à forma como o preço é definido, favorável a Angola em momentos de turbulência no mercado.

Segundo o África Monitor Intelligence, citando altos funcionários do regime angolano, a queda abrupta do preço do petróleo está a preocupar as autoridades, mas estas apontam também para atenuantes como os contratos de longo prazo, que permitem alguma margem de manobra para gerir a situação.

A China é actualmente o principal parceiro comercial angolano e no ano passado o comércio entre os dois países atingiu 38 mil milhões de dólares.

Números compilados recentemente pela Reuters indicam que o financiamento da China a Angola, incluindo os créditos mais recentes, já ascende a 20 mil milhões de dólares, apoio que tem vindo a tornar-se cada vez mais necessário devido à quebra acentuada das receitas petrolíferas ao longo do último ano.

Da visita de cinco dias do presidente angolano à China, em Junho, a Economist Intelligence Unit sublinha a “franqueza” do pedido directo de apoio financeiro feito pelo presidente angolano, o que interpretou como um sinal da “gravidade da situação económica” no país.

“Embora esta visita tenha incluído discussões sobre investimentos do sector privado, o foco esteve na obtenção de novos empréstimos, mostrando que Angola pode precisar ainda mais da China do que gostaria de admitir”, refere o mais recente relatório da EIU sobre Angola.

Nos últimos anos, as petrolíferas estatais chinesas têm vindo a adquirir participações importantes no mar angolano.

Também com capital chinês, do China Internacional Fund (participado pela China Sonangol), está a iniciar-se a construção da nova refinaria do Soyo (norte), que deverá estar operacional em 2017, com uma capacidade de processamento de 110 mil barris diários de petróleo. (Macauhub/AO/CN)

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