China responsável por um terço do investimento estrangeiro e empregos criados em África em 2016

15 May 2017

Os investimentos da China em África representaram cerca de um terço do total de investimento directo estrangeiro (IDE) e dos empregos criados por estes projectos no continente em 2016, de acordo com um estudo da consultora EY (Ernst & Young).

O estudo da EY, intitulado “Ligação Redefinida”, contabiliza 66 projectos de investimento chinês no continente africano, mais do dobro da versão anterior, depois dos Estados Unidos (91 projectos, menos 5,2%) e França (81 projectos, mais 39,7%).

Em termos de valor, os projectos chineses somaram 36,1 mil milhões de dólares, 38,4% do total e representaram a criação de 38 417 postos de trabalho, 29,7% do total no período.

“Em 2016, os empregos criados a partir de projectos de IDE chineses atingiram um recorde histórico, mais do dobro do que em 2015 e mais de três vezes o número de empregos criados pelo próximo maior investidor, os EUA. Tal facto sublinha a criação de postos de trabalho e o impacto do IDE chinês em África”, diz a EY.

“Em toda a África, os investidores chineses assumiram em 2016 um papel activo nos sectores de tecnologia, media e telecomunicações, indústria automóvel e serviços empresariais”, refere o estudo, que sublinha que o comércio sino-africano tem crescido rapidamente, sendo a China actualmente o maior parceiro comercial da África.

Em 2016, as exportações da China para a África foram de 82,9 mil milhões de dólares, enquanto as importações do continente foram avaliadas em 54,3 mil milhões de dólares.

A maior parte dos fluxos financeiros da China para a África, “tem sido na forma de ajuda ao desenvolvimento, através de empréstimos e ajuda bilateral.”

A contabilização da EY indica que desde 2005 a China aplicou capitais em 293 projectos de IDE em África, totalizando 66,4 mil milhões de dólares e criando 130,75 mil postos de trabalho.

Em Julho de 2016, adianta, as empresas e bancos chineses atingiram 17 mil milhões em acordos preliminares de cooperação com os seus homólogos africanos em sectores como infra-estruturas, energia e tecnologias.

Os dados da EY apontam ainda para a diversificação do investimento chinês, “cobrindo tanto países ricos em recursos, como a África do Sul, a Nigéria e Angola, e exportadores agrícolas como o Quénia.”

Além do comércio e do IDE, adianta, as empresas chinesas e as entidades relacionadas com o Estado financiaram e construíram muitos projectos de infra-estruturas em todo o continente, incluindo portos, estradas, vias férreas, barragens, redes de telecomunicações, centrais eléctricas e aeroportos.

A iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” pretende estabelecer as fundações para a próxima fase do relacionamento económico sino-africano, tendo a EY afirmado que a iniciativa “pode revelar-se vantajosa para ambas as partes, posicionando a África como uma via adequada para o excesso de poupança e capacidade de infra-estruturas da China.” (Macauhub)

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