China responsável por um terço dos projectos de electrificação em África

1 August 2016

A China está a aumentar a sua participação no aumento da capacidade de produção de electricidade em África, nomeadamente em Angola e em Moçambique, factor que a Agência Internacional de Energia (AIE) considera fundamental para o desenvolvimento do continente.

No recente estudo “A Expansão do Sector Energético na África a Sul do Saara – Envolvimento da China”, a AIE estima que as empresas chinesas tenham, entre 2010 e 2015, sido responsáveis por cerca de 30% do aumento de capacidade de produção de electricidade naquela zona do continente africano, região onde estão inseridos Angola e Moçambique.

Na década de 2010-2020, o aumento da capacidade de produção de electricidade atribuível a projectos de empresas chinesas equivale a 10% do total da capacidade instalada na região, num total de 200 projectos e 17 gigawatts.

Enquanto em Angola se destaca a participação de empresas chinesas em projectos de redes de electricidade de zonas urbanas e rurais, tal como na Guiné Equatorial, em países como a Etiópia e o Quénia foram erguidas linhas de transmissão transfronteiriças, e noutros países projectos integrados de geração e distribuição.

Na vila angolana do Cuito Cuanavale, a instalação de linhas e subestações pela Sinohydro permitiu o acesso a electricidade por 5000 pessoas.

“As empresas de energia chinesas estão agora cada vez mais activas no estrangeiro, exportando a experiência interna da China para outras economias em desenvolvimento”, refere o estudo a que a agência Macauhub teve acesso, o mais completo levantamento feito até à data da participação da China no sector energético africano.

Durante a sua recente visita a Moçambique, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, apontou a cooperação no domínio energético e na indústria como prioridade nas relações entre os dois países.

A capacidade de produção de electricidade em África está ainda abaixo do resto do mundo e das necessidades internas, devido, nomeadamente, à falta de acesso a financiamento, estimando-se que cerca de 635 milhões de pessoas vivam sem electricidade no continente.

A China tornou-se nos últimos anos uma importante fonte de financiamento e de tecnologia para projectos energéticos no continente e, de acordo com o estudo, entre 2010-2020 as redes eléctricas chegarão a mais cerca de 120 milhões de pessoas, com as empresas chinesas a promoverem cerca de 30% da capacidade de produção adicional.

“Um maior acesso a electricidade pode, por sua vez, facilitar a industrialização e o desenvolvimento económico”, adianta o estudo.

A energia hidroeléctrica representa a maior fatia (49%) dos projectos hidroeléctricos chineses no período 2010-2020, que em 56% são de energias renováveis, incluindo também eólica, biomassa e solar.

Entre 2010-2015, cerca de 13 mil milhões de dólares foram aplicados pela China no desenvolvimento do sector energético da África a sul do Saara através de empréstimos, créditos de compra/venda e investimento directo estrangeiro.

“Geralmente com o apoio do governo chinês, as empresas chinesas disponibilizam soluções integradas de capacidade de produção de electricidade, transmissão e distribuição, através de uma combinação de ajuda ao desenvolvimento (empréstimos), investimento governamental e privado”, adianta a AIE.

O Banco de Exportações e Importações (ExIm) da China tem vindo a assumir-se como financiador de referência destes projectos, mas a tendência é a entrada de mais bancos e fundos comerciais no negócio, e algumas empresas chinesas já operam como distribuidores de electricidade, como no Gana. (Macauhub/AO/CN/MZ)

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