Chinesa CHEC em investimento de 1000 milhões de dólares no novo porto de Maputo

25 April 2016

Um consórcio internacional, que inclui a empresa portuária China Harbour Engineering Co, está a projectar um investimento de 1000 milhões de dólares num novo porto na província de Maputo, para servir Moçambique e países vizinhos, incluindo a África do Sul.

O projecto do porto de águas profundas de Techobanine, no distrito de Matutuíne, sul da província de Maputo, está a ser promovido por um consórcio liderado pela empresa moçambicana Bela Vista Holdings (BVH) que, além da CHEC, integra a sul-africana Transnet, empresa pública de caminhos-de-ferro da África do Sul, de acordo com o semanário Savana.

Moçambique e Botsuana acordaram inicialmente este projecto em 2010, prevendo um financiamento total de 7 mil milhões de dólares, a construção de 1100 quilómetros de ligação ferroviária, com capacidade para processar 200 milhões de toneladas de carga diversa por ano, desde a geral a granel, minérios, combustível e passageiros.

Em 2011, o Zimbabué juntou-se ao projecto, através de um memorando de entendimento, prevendo financi-amento de privados e concessão das infra-estruturas e no ano seguinte foi concluído o plano director do projecto e lançado um concurso público para a selecção da empresa responsável pelos estu-dos de viabilidade económica.

O semanário Savana escreveu que os planos “estão em marcha” para a construção do porto “que poderá vir a aliviar de certa forma a pressão sobre o porto de Maputo e oferecer opções mais competitivas de acesso aos mercados internacionais por parte de alguns países da África Austral.”

“Sendo um projecto de categoria A, este empreendimento irá ser objecto de um estudo de impacto ambiental completo, do qual resultará um plano de gestão respectivo, suportado basicamente pelo projecto”, disse ao jornal uma fonte ligada à BVH.

Um consórcio internacional já finalizou os estudos preliminares de impacto ambiental e, em resposta às suas recomendações, os promotores do projecto decidiram escolher um local que dista 23 quilómetros da Reserva Especial de Maputo para a localização do porto na Ponta Techobanine.

As obras de construção do porto deverão consistir na abertura de um canal de acesso de 3,5 quilómetros, uma zona franca industrial, entre outras infra-estruturas complementares.

O novo porto irá facilitar e diversificar o acesso ao mar a alguns países da região, como o Botswana, Suazilândia e Zimbabué, além de encurtar a distância até à costa a partir de regiões produtoras de minerais no interior da África do Sul.

Uma ligação ferroviária através da Suazilândia, ao longo do rio Maputo, poderá contribuir para reduzir significativamente os custos de transporte de minérios produzidos na África do Sul, “permitindo a sua colocação no mercado da Ásia a preços competitivos”, escreve o jornal.

A costa oriental africana é uma das zonas incluídas na estratégia comercial chinesa da Nova Rota da Seda, no âmbito da qual será apoiada a criação de novas infra-estruturas e zonas industriais.

A China tem vindo a assumir papel importante entre os principais parceiros externos de Moçambique e a previsão da generalidade dos analistas é que o seja cada vez mais.

“Esperamos que o envolvimento na economia moçambicana de empresas do Brasil, Índia e China fortaleça os laços com esses países”, afirma o mais recente relatório da Economist Intelligence Unit sobre Moçambique.

China Harbour Engineering Co. já tem a seu cargo as obras do novo porto da Beira, que se iniciaram em Setembro de 2015.

Esta infra-estrutura na segunda maior cidade do país é vista como chave para revitalizar a indústria de pescas do país, estando preparada para servir toda a cadeia produtiva, incluindo refrigeração e exportação de produtos processados.

Em Março foi anunciado um investimento de 6000 milhões de dólares num gasoduto de 2600 quilómetros, que terá o estudo de viabilidade a cargo da China Petroleum Pipeline Bureau (grupo China National Petroleum Corp, accionista na área 4 da bacia do Rovuma).

Uma vez tomada a decisão de investimento, 70% do financiamento estará a cargo de instituições financeiras chinesas, prevê o acordo. (Macauhub/CN/MZ)

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