Moeda da China cada vez mais presente em África

5 April 2016

A China está a usar cada vez mais nas trocas comerciais com países terceiros a sua própria moeda, o renminbi, e são cada vez mais os países africanos, nomeadamente Angola, que começaram a usar a moeda chinesa e a integram nos respectivos cabazes de divisas.

A África do Sul, maior economia africana e principal parceiro comercial da China em África, foi o mais recente país a abraçar o renminbi, por ocasião da visita do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, durante a qual os dois países lançaram uma primeira plataforma cambial entre as duas moedas.

O mecanismo, segundo as autoridades, permitirá facilitar as trocas entre o renminbi e o rand, que passam a processar-se de forma directa, quando até aqui o processo era indirecto, através do dólar dos EUA ou o de Hong Kong.

Anteriormente, já o Gana, Nigéria, Maurícias e Zimbabué passaram a aceitar o renminbi em pagamentos e reservas e o banco central nigeriano já tem 10% das suas reservas estrangeiras em moeda chinesa.

Em declarações ao sítio chinafrica.info, o economista chinês Qu Hongbin afirmou que “o aumento dos investimentos chineses no estrangeiro – sobretudo em África – é um factor essencial para a internacionalização do yuan.”

UM diplomata chinês citado pelo mesmo sítio disse que cada vez mais países escolhem o renminbi para “evitar perdas de câmbio nas trocas comerciais com a China” e a moeda chinesa apresenta-se como “uma divisa forte, já utilizada quotidianamente em transacções efectuadas em diversos países.”

“Em África, quando mais as trocas comerciais aumentarem, maior será a procura da moeda chinesa”, referiu a mesma fonte.

Um estudo recente do banco HSBC prevê que, até 2020, o renminbi seja utilizado em metade das trocas comerciais realizadas pela China no estrangeiro, quando actualmente rondam 20%.

China e Angola assinaram em Agosto de 2015 um acordo oficial que permite a reciprocidade no uso das moedas de ambos os países, o que foi interpretado pela Economist Intelligence Unit como um resultado da “esperança” angolana de que o maior uso do renminbi diminua a necessidade de dólares.

Para o banco português BPI, citado pela Macauhub este acordo permite “colmatar a falta de dólares”, necessários para pagar as importações, mas o efeito em termos cambiais deverá ser tendencialmente nulo.

Yao Jian, subdirector do Gabinete de Ligação do governo central em Macau, revelou em Janeiro que a Região Administrativa Especial vai ter um papel na implantação africana do renminbi, com o apoio do governo central da China para que se transforme numa plataforma bancária de compensação da moeda chinesa entre a China e os países de língua portuguesa.

Em artigo recentemente publicado na página electrónica do Council on Foreign Relations, o consultor financeiro especialista na África a sul do Saara John Casey defende que “já não é certo o domínio do dólar” nesta região e que 2016 será o ano de “solidificação do papel do renminbi em África.”

Outra razão apontada por Casey para a afirmação da moeda chinesa é a criação do Banco Asiático de Infra-estruturas e do Novo Banco de Desenvolvimento (ex-banco dos BRICS), instituições rivais das baseadas no dólar (Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial), que “em breve poderão passar a ser baseadas no renminbi.”

O FMI, que já tinha decidido incluir o renminbi no seu cabaz de reservas, anunciou este mês que a partir de Outubro os países membros da instituição poderão registar como reservas oficiais activos externos denominados em a moeda chinesa que estejam disponíveis para responder a necessidades financeiras da balança de pagamentos. (Macauhub/AO/CN)

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