Financiamento da China ainda essencial para Angola

16 January 2017

As contas públicas angolanas mantêm-se sob pressão, apesar de melhorias no mercado petrolífero e dos esforços de diversificação económica, com o financiamento da China a manter-se fonte essencial de financiamento, de acordo com o economista angolano Alves da Rocha.

Falando a 13 de Janeiro em Lisboa numa conferência organizada pelo Africa Monitor Intelligence e Fundação AIP, o economista da Universidade Católica de Angola sublinhou que as taxas de crescimento do PIB previstas até 2022 são “baixas”, quando comparadas com o período de 2002-2008 – a “mini-idade de ouro do crescimento da economia angolana”, 11% de taxa média anual – e que as receitas do Estado continuarão sob pressão no período.

“Salvo os casos da China, eventualmente salvo o caso do Brasil, a quem as autoridades já pediram uma revisão das relações financeiras com a libertação de linhas de crédito fechadas (…) vamos ter esse problema de obtenção de financiamento externo, com taxas de juro que o país possa depois pagar”, afirmou.

Os défices orçamentais, adiantou, terão de ser financiados através da criação de dívida pública interna, subscrita sobretudo por bancos e empresas de grande dimensão, e externa, neste caso “liderada pela China através das linhas de crédito, recentemente acrescidas” com nova linha de perto de 9000 milhões de dólares.

A dívida do Estado deverá atingir 75% a 80% do PIB no final do ano, excluindo as empresas públicas, entre as quais a “grande questão é a Sonangol”, petrolífera estatal que está em processo reestruturação, com dívidas a descoberto de cerca de 9000 milhões de dólares, que houve “tentativa de cobrir com apoio da China”, de cerca de 5000 milhões de dólares, que não se materializou.

A mais recente edição do Africa Monitor Intelligence afirma ser limitado o impacto para a arrecadação de receitas da Sonangol – e em particular para o alívio dos actuais constrangimentos de liquidez da petrolífera – decorrente do actual movimento de subida do preço do barril de Brent para cerca de 55 dólares, após a introdução de cortes à produção por parte da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

As limitações, adianta a mesma publicação em artigo publicado a 12 de Janeiro sobre perspectivas para o sector petrolífero, resultam de pressões de sentido descendente sobre os preços, que travam uma subida até 60 dólares, considerado o nível mínimo de “folga” financeira para a petrolífera e também por pagamentos em petróleo de créditos já contraídos, nomeadamente junto da China.

O Orçamento de Estado de 2017, ano de eleições gerais em Angola, foi feito com base num valor de 46 dólares por barril e o nível de produção petrolífera previsto é de 1,8 milhões barris diários.

A Economist Intelligence Unit escreveu que a China “vai continuar a ser parceiro altamente importante” para Angola, no actual contexto económico e financeiro.

“O governo vai continuar a procurar empréstimos da China para permitir que continue com programas de despesa de capital muito necessários – construir estradas e centrais eléctricas, por exemplo”, refere a EIU num dos seus recentes relatórios sobre Angola.

Outras fontes de financiamento a procurar pelo Estado angolano incluem linhas de crédito de instituições financeiras internacionais e empréstimos em condições preferenciais do Banco de Desenvolvimento Africano, dado que o recurso ao mercado de euroobrigações é “improvável no curto e médio prazo”, adianta. (Macauhub)

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