Experiência imobiliária da China pode ajudar Angola a superar dificuldades económicas

29 February 2016

A China tem participado no desenvolvimento urbano em Angola, em particular em Luanda, podendo a sua experiência neste campo ajudar a diversificação económica de Angola, com mais investimento no imobiliário, assim superando as actuais dificuldades económicas.

No artigo “Oportunidades para o novo urbanismo de Angola depois do colapso da economia petrolífera”, publicado pela ONG Development Workshop (http://www.dw.angonet.org/), o investigador Allan Cain sublinha que em países “pós-socialistas” a conversão de terrenos detidos por monopólios estatais para uso urbanístico é uma “oportunidade única”, podendo desencadear uma vaga de investimento.

“Aplicar algumas das reformas há muito aguardadas no crédito à habitação, planeamento participativo e descentralização orçamental para municípios pode encorajar os próprios proprietários de habitação e o sector privado a investir no desenvolvimento urbano e oportunidades de habitação”, “estimulando o investimento estrangeiro no sector imobiliário”, afirma Cain.

“Angola comprometeu-se a encontrar novas formas de diversificar e fazer crescer a sua economia no novo ambiente de baixos preços das matérias-primas. A experiência chinesa de desenvolvimento urbano, se partilhada, pode comprovar ser tão valiosa como os seus empréstimos”, adianta.

Para o “rápido crescimento urbano e económico” na China a partir dos anos 1980, adianta, foi essencial a municipalização e descentralização da governação, a par da maior autonomia financeira das autoridades locais, que tiraram partido do valor dos terrenos arrendando-os ou vendendo direitos de construção a investidores particulares.

As receitas captadas pelas autoridades locais foram depois usadas para financiar habitação social e infra-estruturas urbanas, aumentando o valor imobiliário e gerando maior riqueza e crescimento urbano.

“Tal como na China, as origens da riqueza que faz crescer e sustenta estas cidades são as poupanças dos compradores de casa e dos investidores do sector privado e estes recursos estão por aproveitar em Angola”, afirma Cain.

Com a “captura de parte do valor do investimento privado para benefício público”, adianta, os municípios podem usar as receitas para “melhorar infra-estruturas e disponibilizar habitação social, promover um ciclo virtuoso e aumentar os valores que acompanham a transformação urbana.”

Uma das razões da relutância dos investidores até ao momento tem sido a “falta de um mercado de terrenos funcional” em Angola, sendo a resolução das questões relacionadas com a propriedade o “primeiro passo para estimular o envolvimento do sector privado” no financiamento de projectos habitacionais de que o país precisa.

Luanda recebeu o maior empreendimento habitacional da China em África, o projecto Kilamba, composta por 20 mil apartamentos, havendo projectos semelhantes planeados para as restantes 18 províncias, prevendo 150 mil unidades habitacionais.

O recentemente divulgado “Plano operacional da linha de crédito da China” a Angola, elaborado pelo governo angolano com as obras a realizar pelas empresas chinesas, prevê a ligação eléctrica a 480 mil casas, a construção e recuperação de mais de 2200 quilómetros de estradas e a construção de 39 sistemas de abastecimento de água.

Com cerca de 155 projectos nos sectores da Saúde, Educação, Transportes, Agricultura, Indústria, entre outros sectores, o Plano tem um custo estimado em 5,2 mil milhões de dólares. (Macahub/AO/CN)

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