Capital chinês investe em empresas portuguesas com presença nos países de língua oficial portuguesa

15 November 2010

Lisboa, Portugal, 15 Nov – Bancos e empresas portuguesas com importantes interesses em países como Angola ou Brasil foram escolhidas pelo capital chinês para uma anunciada vaga de investimentos, na sequência da visita a Portugal do presidente Hu Jintao.

Para o director do Diário Económico, António Costa, os anunciados investimentos no Millennium bcp, Banco BPI ou EDP – Energias de Portugal não se explicam pela dimensão do mercado português ou pelo dinamismo da sua economia, mas sim pela relação privilegiada das suas maiores empresas a importantes parceiros comerciais como o Brasil ou Angola.

O investimento, escreveu na semana passada em editorial, explica-se “quase exclusivamente pela posição e capacidade de negociação de Portugal e das empresas portuguesas em África e no Brasil, dois mercados onde a China está a posicionar-se”.

“Vejam-se os casos da EDP e do BCP, duas das maiores empresas nacionais que já estão em África, e aqui Angola é o mercado mais relevante, e no Brasil. E veremos, também, se a Galp Energia não será outra empresa na mira dos chineses”, adiantou Costa.

A EDP tem uma importante participada no Brasil, o Millennium bcp detém uma importante operação em Moçambique e o Banco BPI controla o maior banco privado angolano, Banco de Fomento de Angola (BFA).

Para Costa, com o interesse de Pequim “Portugal deixa de ser, como que por magia, um país periférico e volta a ser o centro do mundo para uma China que é gigante do ponto de vista económico” e precisa de “um aliado relevante dos interesses”, incluído no plano político e diplomático.

Para o analista Miguel Monjardino, a China pretende “acima de tudo, reforçar a sua opção de integração económica na Europa”, uma “parte importante da sua estratégia actual”.

“A presença de Pequim nos sectores financeiros e industriais da Europa começa a ser cada vez mais visível. A visita de Hu Jintao mostra que Portugal vai passar a fazer parte desta política chinesa. Vêm aí investimentos chineses em empresas nacionais de referência”, escreveu na passada semana o analista.

Em Lisboa, o presidente Hu Jintao manifestou a sua solidariedade para com Portugal dizendo que a China está “disposta a apoiar, através de medidas concretas, os esforços portugueses para enfrentar os impactos causados pela crise financeira internacional”.

Pequim pretende ainda “incentivar as empresas competitivas a operar em Portugal” e “dá as boas-vindas às empresas portuguesas para concorrerem no mercado chinês, para que cada vez mais os grupos portugueses competitivos possam entrar no mercado da China”.

Hu Jintao traçou ainda o objectivo de duplicar as trocas comerciais entre a China e Portugal até 2015.

O Millennium bcp e o Banco BPI assinaram, durante a visita, acordos de cooperação comercial com congéneres chineses, respectivamente o Banco Industrial e Comercial da China e o Banco da China, tendo em vista facilitar a captação de financiamento e de capital no mercado financeiro chinês pelos grupos nacionais.

A aproximação deverá passar, a médio prazo, pela entrada do Banco Industrial e Comercial da China no capital do BCP, ao passo que a imprensa portuguesa dá como mais atrasadas as negociações entre o Banco BPI e o Banco da China.

Também na EDP a China Power International (CPI) anunciou o interesse de entrar como accionista de referência enquanto a Portugal Telecom assinou um acordo com a Huawei Technologies que vem reforçar a parceria que já existe entre as duas empresas, sobretudo no fornecimento e desenvolvimento de soluções de fibra. (macauhub)

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