Investimento chinês em África prossegue, apesar de abrandamento da economia

22 February 2016

O nível de investimentos da China em África deverá manter-se elevado nos próximos tempos, mesmo na actual conjuntura de abrandamento económico, de acordo com analistas das relações sino-africanas.

Em Dezembro de 2015, durante a Cimeira China-África de Joanesburgo, o presidente Xi Jinping anunciou a consignação de 10 mil milhões de dólares de capital adicional ao Fundo China-África para o Desenvolvimento, de 10 mil milhões de dólares para lançamento do Fundo de Cooperação Industrial China-África e ainda de 6 mil milhões de dólares para o fundo do Banco de Desenvolvimento da China para as pequenas e médias empresas africanas.

A investigadora da Universidade de Londres Lucy Corkin, que tem analisado as linhas de crédito da China a Angola, afirmou em recente entrevista à revista The Diplomat (http://thediplomat.com/) que uma leitura atenta do Plano de Acção de Joanesburgo (2016-2018) e de comentários do presidente chinês parecem indicar a intenção de aplicar fundos ao desenvolvimento de infra-estruturas, “pedra angular da relação China-África”, mas também ao desenvolvimento de capacidade industrial e de projectos agrícolas.

“O lançamento do Fundo de Cooperação Industrial China-África representa a formalização de uma tendência, lentamente a ganhar ritmo, embora a partir de uma base baixa, de as empresas chinesas estabelecerem bases de montagem e produção em África, à medida que os custos operacionais aumentam em províncias orientais industrializadas da China”, adiantou Corkin, autora de “A Gestão de Angola das Linhas de Crédito da China” (2013).

O relatório 2015 Africa Construction Trends, divulgado na semana passada, revela que a China tem eclipsado os doadores tradicionais ocidentais, tornando-se líder no financiamento de projectos de infra-estruturas do continente e que os países africanos vão beneficiar de investimentos chineses em áreas estratégicas como infra-estruturas, agricultura, turismo e produção de energia.

Gabriel Ouko, director da Deloitte Consulting para Projectos de Infra-estruturas e de Capital, afirmou à agência noticiosa Xinhua, que a economia chinesa tende para a estabilização, o que “irá promover o comércio e os investimentos” em África.

“A China é o maior mercado para produtos originários sobretudo de África”, sublinhou o analista, citado pela agência.

Mark Smith, director da Deloitte East Africa para Infra-estruturas e Projectos de Capital, defendeu à agência noticiosa chinesa que o actual abrandamento económico na China não afecta o estatuto do país como o maior parceiro de financiamento e de comércio com África.

“A questão da desaceleração económica na China é mais uma questão de percepção do que de realidade. A China está a crescer a uma média de 6-7% e os investimentos do país em África e no resto do mundo ainda são elevados”, afirmou. (Macauhub/CN)

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