Investidores chineses disputam posições na banca portuguesa

24 October 2016

O Millennium Bcp e o Novo Banco, dois dos maiores bancos portugueses e com importante presença na África lusófona, poderão em breve ter sociedades financeiras chinesas entre os seus accionistas, através de operações que estão a animar o mercado financeiro.

O grupo chinês Fosun, que já tem uma diversificada carteira de investimentos em Portugal, está a negociar a entrada no Millennium Bcp, com uma participação de cerca de 16,7 por cento, operação que passa por alterações a decidir na próxima Assembleia Geral do banco, marcada para 9 de Novembro.

A Assembleia Geral deverá decidir um reajuste dos limites aos direitos de voto no Millennium BCP, de 20 % para 30 %, conforme o documento de convocatória da próxima assembleia, divulgado na semana passada, uma alteração que atenderia a condições apresentadas pela Fosun, que incluem ainda o aumento do número máximo de administradores.

A concretizar-se a entrada, a Fosun passará a ser parceira da angolana Sonangol (17,84 % do capital do Millennium), do banco espanhol Sabadell (5,07 %), Grupo EDP (2,56 %) e Grupo Interoceânico (2,05 %).

O BCP recebeu a 30 de julho uma carta da Fosun, com uma proposta firme para subscrever um aumento de capital, a um preço não superior a 0,02 euros por ação, que lhe permitiria assumir 16,7 % do capital do banco, podendo subir a participação, através de operações em mercado secundário ou de aumentos de capital, para entre 20 a 30%.

A entrada da Fosun animou os investidores, tendo a cotação dos títulos do Millennium Bcp recuperado nas últimas sessões, com os principais responsáveis do banco a mostrarem-se confiantes no sucesso da negociação, nomeadamente o presidente executivo do BCP, Nuno Amado.

A negociação com a Fosun “tem algumas pré-condições nas quais se está, neste momento, a trabalhar e a negociar. Vejo isso com naturalidade. Espero que sejam bem sucedidas e não vejo razão para que não sejam”, disse Nuno Amado no início de Outubro.

Paralelamente, o grupo China Minsheng formalizou a 11 de Outubro uma proposta para o Novo Banco, caso o Banco de Portugal e o Governo optem pela dispersão em bolsa, uma solução admitida pelas autoridades caso sejam rejeitadas as 3 propostas de compra direta apresentadas, que implicam o controlo maioritário do banco – do BPI, Millennium Bcp, Apollo/ Centerbridge Partners/ Lone Star.

Segundo o jornal Expresso, tem havido contactos entre as autoridades portuguesas e responsáveis da China Minsheng Financial Holding, e o presidente da comissão executiva Sing Wang esteve em Lisboa para se reunir diretamente, no início de Outubro, com os responsáveis pela venda – o ex-secretário de Estado Sérgio Monteiro e uma equipa do banco central.

O mesmo jornal adianta que a operação, em que o investidor chinês poderia assumir entre 10 a 30% do Novo Banco, atualmente controlado pelo Fundo de Resolução Bancária, uma entidade participada por todos os bancos portugueses, que injetou 4,9 mil milhões de euros no banco em 2014, impedindo o seu colapso.

Na anterior operação de venda do Novo Banco, as chinesas Anbang e Fosun fizeram as propostas mais elevadas para a compra, ainda assim consideradas insuficientes pelo Banco de Portugal.

Segundo estimativas de 2015, o negócio daria aos investidores chineses 15 por cento da banca portuguesa, somando-se a 30 por cento do sector segurador (através da Fidelidade, adquirida pela Fosun), e 45 por cento do sector energético (através da CTG, maior acionista da EDP).

Na sua recente visita à China, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, aproveitou uma audiência com o Presidente da China, Xi Jinping, para solicitar mais investimento chinês, nomeadamente investimentos de raiz, para novas áreas da indústria e dos portos em Portugal.

“Há novas perspectivas no sector dos portos, sobretudo com o grande projecto chinês de nova rota marítima da seda (…) Um porto como o de Sines pode ter um papel importante a desempenhar, havendo ainda vontade da China em estabelecer uma grande ligação internacional na área da energia e, na sequência do acordo entre Portugal e Marrocos, encontramo-nos perante uma área que pode vir a ser interessante”, afirmou. (macauhub)

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