Banca comercial de Moçambique prospera em tempos de adversidade

11 July 2016

A banca comercial de Moçambique tem conseguido manter taxas de crescimento elevadas, mas as recentes adversidades na economia do país poderão trazer alterações ao panorama bancário, incluindo fusões e aquisições, de acordo com analistas.

No ano passado, antes mesmo de os parceiros ocidentais do país terem cortado as ajudas orçamentais e de a situação de segurança se ter degradado, a economia abrandou 1,1 pontos percentuais, para uma taxa de crescimento de 6,3%, mas ainda assim o balanço dos bancos continuou a crescer “a taxas impressionantes”, de acordo com a Eaglestone Securities.

Num relatório recente sobre a banca moçambicana, em que analisa as contas dos seis maiores bancos do país, a consultora adianta que os activos, empréstimos e depósitos continuaram todos a crescer 20% em relação a 2014.

Cerca de 70% dos depósitos e empréstimos são em meticais, 60% dos depósitos são à vista, os rácios de qualidade de activos mantiveram-se inalterados “a níveis confortáveis” e o sector bancário está “bem capitalizado”, com os seis bancos com rácios de solvabilidade acima das obrigações regulatórias.

Ainda segundo a consultora, os lucros dos seis bancos aumentaram novamente, devido a um desempenho operacional “robusto”, apesar da maior concorrência, do aumento de custos salariais e de investimento na expansão da rede de balcões.

Por activos, empréstimos e depósitos, o maior banco é o BCI Fomento, seguido do Millennium BIM, mas é este banco o que apresentou no ano passado maiores resultados líquidos – 81,4 milhões de dólares, seguido do Standard Bank Moçambique, com 51,4 milhões de dólares.

Moza Banco, Banco Único e Barclays Bank Moçambique completam a lista dos seis maiores, entre as 19 instituições bancárias de que o país dispõe – a mais recente das quais o Banco Big, de capitais portugueses, tal como os dois maiores.

O panorama bancário do país deverá sofrer a curto e médio prazo alterações substanciais, passando pela venda do Moza Banco, participado pelo português Novo Banco, que deverá também ele mudar de mãos, mas também o BCI poderá sofrer alterações na sua composição accionista, devido às mudanças no capital no português BPI, um dos accionistas de referência a par do banco público Caixa Geral de Depósitos.

“Acreditamos que a deterioração das condições no mercado de moeda estrangeira este ano podem ter um impacto no panorama bancário moçambicano no médio prazo”, afirma a Eaglestone.

Devido à falta de divisas, a par de uma escalada da inflação, o banco central moçambicano tem vindo a adoptar uma política monetária mais restritiva ao longo de 2016, enquanto o governo viu-se obrigado a apresentar um Orçamento de Estado rectificativo com medidas de austeridade exigidas pelo FMI e pela generalidade dos parceiros ocidentais como condição para repor as ajudas orçamentais.

Estas foram suspensas devido à divulgação pelo executivo de dívidas desorçamentadas em valor superior a 2000 milhões de dólares.(Macauhub/MZ)

MACAUHUB FRENCH