Energias de Portugal reduz passivo com venda de activos à China Three Gorges

7 March 2016

O grupo EDP vai prosseguir este ano com uma política de venda de activos, sobretudo ao seu principal accionista, a China Three Gorges (CTG), a fim de reduzir o seu nível de endividamento, revelou o presidente do grupo.

Perto de 392 milhões de euros serão encaixados com a venda à CTG de 49% da operação na Polónia e Itália, mas a alienação de activos ascenderá em 2016 a 500 milhões de euros, disse ao semanário Expresso António Mexia, presidente da EDP.

A EDP Renewables Europe, através do ACE Investment Fund LP, detinha a totalidade do capital da ACE Poland e ACE Italy, que no conjunto detêm um portefólio de activos eólicos de quase 600 megawatts.

Esta receita e outros negócios que deverão aumentar para 500 milhões de euros o encaixe com a venda de activos, permitirão ao grupo reduzir a dívida para 16,5 mil milhões de euros no final do ano, menos 900 milhões de euros do que no ano passado.

Este ano, a EDP terá de reembolsar dívida num total de 3000 milhões de euros e em 2017 mais 1,7 mil milhões de euros, afirmando-se numa posição confortável para o fazer, graças a um nível de liquidez próximo de 5,4 mil milhões de euros.

Mas a factura do endividamento é considerada elevada, com os juros a consumirem 892 milhões de euros, o equivalente a 23% dos resultados operacionais EBITDA, de acordo com os números avançados esta semana pela empresa na apresentação anual de resultados.

Em termos globais, os resultados do grupo melhoraram devido à EDP Renováveis e EDP Brasil, mas o lucro recuou 12% em 2015, para 913 milhões de euros.

Quando ganhou a privatização da participação de 21,35% do Estado português na EDP, em Dezembro de 2011, pela qual pagou 2,69 mil milhões de euros, a CTG comprometeu-se a investir 2 mil milhões de euros nos projectos de energias renováveis da EDP, até 2015.

Os activos inicialmente alienados à CTG situam-se em Portugal e no Brasil, depois de Espanha ter deixado de ser considerada prioritária, face à alteração do quando regulatório neste país.

A EDP Renováveis, detida agora em 49% por uma subsidiária da CTG, a CWEI (Hong Kong), está presente em 11 países e é considerada a 3ª maior empresa do mundo em energias renováveis.

Em África, o grupo tem vindo a apontar para um investimento conjunto de 2 mil milhões de dólares até 2020, dirigindo-se sobretudo a barragens que a CTG ajudará a erguer.

O grupo CTG assinou em Janeiro com o Ministério de Minas e Energia do Brasil os contractos relativos às concessões de dois aproveitamentos hidroeléctricos no país – Jupiá e Ilha Solteira – após um leilão em que pagou 13,8 mil milhões de reais (3,66 mil milhões de dólares) para ficar com a concessão.

Recentemente, o vice-presidente do grupo CTG, Lin ChuXue, afirmou em Pequim que os países de língua portuguesa são uma prioridade, tendo em vista o objectivo de ser líder mundial em energias renováveis. (Macauhub/BR/CN/PT)

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