Evolução da relação com a China congrega dirigentes de países de língua portuguesa em Macau

A Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, hoje iniciada em Macau, é a de mais alto nível de todas as já realizadas, indicação da crescente importância e complexidade desta relação multilateral.

A quebra do preço das matérias-primas tem-se feito sentir sobretudo nas economias de Brasil, Angola e Moçambique e traduziu-se numa redução das trocas comerciais destes países com a China, mas a crise global traduziu-se também numa diversificação da relação, coincidindo com a nova política do governo central da China para África.

Se no Brasil a crise significou uma oportunidade para o investimento chinês, como o recente na compra de uma participação de 68,1% da CPFL Energia pela China State Grid Corporation, em Angola e Moçambique o financiamento chinês passou a ser ainda mais importante do que já o era.

O mais recente relatório da agência Moody´s sobre Angola, divulgado em Setembro, indica que desde final de 2015 o país recebeu mais de 8000 milhões de dólares da China, dinheiro que tem permitido cobrir o défice orçamental resultante da persistente baixa dos preços do petróleo.

Também no caso de Moçambique, a China tem-se comprometido a apoiar o país numa altura em que está suspenso o financiamento do FMI, afectando as finanças públicas e obrigando a restrições orçamentais e paralisação de investimentos.

Xu Yingzhen, secretária-geral do Fórum Macau, afirmou recentemente que nos últimos três anos os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste receberam da China empréstimos com condições vantajosas no montante de 270 milhões de dólares, conforme acordado no Plano de Acção 2013-2016 que saiu da 4ª conferência ministerial do Fórum, realizada em 2013.

O investimento da China nos países de língua portuguesa, adiantou, ascendia no final de 2015 a 4500 milhões de dólares, havendo actualmente cerca de 400 empresas chinesas com investimentos nestes países.

O secretário-geral adjunto, Vicente de Jesus Manuel, acrescentou que estes créditos financiaram projectos como uma zona económica especial em Moçambique (o de maior destaque) ou, em Angola, um centro de formação técnico-profissional e um centro de distribuição de energia e água.

Segundo Manuel, os países de língua portuguesa têm hoje uma “expectativa maior” da cooperação económica com a China, como o apoio à industrialização.

“A conjuntura actual de todos os países [de língua portuguesa] não é das melhores, as trocas comerciais estão a declinar em cerca de 18% ou 19% em relação aos anos anteriores, pelo que uma das saídas para inverter esta situação é diversificar a economia dos países que são maiores exportadores de matérias-primas não processadas”, afirmou num encontro com jornalistas.

Duas componentes que integram o próximo plano de acção do Fórum, que sairá da conferência ministerial que se realiza hoje e quarta-feira, são a estratégia “Uma Faixa, Uma Rota” e o reforço da capacidade produtiva de países de língua portuguesa.

Outra nova vertente do relacionamento bilateral e multilateral é o da internacionalização do renminbi, facilitador do investimento e trocas comerciais para as empresas e do financiamento para os Estados, que terá um pólo importante no sector financeiro de Macau, cujos bancos demonstram estar melhor apetrechados para estes serviços.

A quinta reunião ministerial do Fórum Macau, mais de uma década depois do início da instituição, conta com cinco primeiros-ministros – Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e China – sendo já considerada a de mais alto nível de sempre.

Angola, Brasil e Timor-Leste estarão representados por ministros na conferência, que contará também com a presença de empresários dos vários países de língua portuguesa, prevendo-se a assinatura de acordos empresariais. (Macauhub)

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