Exploração de gás natural em Moçambique vai ter decisão final de investimento

Os projectos que poderão transformar Moçambique num dos maiores produtores mundiais de gás natural estão quase a iniciar-se, contando-se entre os seus participantes alguns dos maiores grupos mundiais do sector, caso da China National Petroleum Corporation, que olham para a Ásia como o mercado natural para os seus produtos.

O boletim de informação Africa Monitor Intelligence (AMI) escreveu que a decisão final de investimento do projecto Coral FLNG (Área 4, bacia do Rovuma) deverá ser tomada a curto prazo, depois os membros do consórcio – ENI de Itália, China National Petroleum Corporation, Galp Energia de Portugal, Kogas da Coreia do Sul e a estatal moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos – terem em 2016 feito anúncios individuais.

As decisões individuais estavam dependentes da obtenção de condições de financiamento, agora praticamente asseguradas, que de acordo com o boletim de informação publicado em Portugal dependia por sua vez da obtenção de contractos de comercialização de pelo menos 80% da produção de gás natural, algo que foi já conseguido.

O grupo norte-americano ExxonMobil passou em Março passado a ser um dos membros do consórcio depois de ter acordado a compra de 25% do bloco por 2,8 mil milhões de dólares à ENI East Africa, subsidiária do grupo italiano que funciona como operador, negócio que veio elevar as expectativas em relação ao desenvolvimento do projecto, devido à dimensão do novo parceiro.

O bloco Área 4 deverá conter perto de 140 mil milhões de pés cúbicos de gás natural, envolvendo a sua exploração a construção de uma unidade flutuante de liquidificação

O empreendimento, adianta o Africa Monitor Intelligence, envolve a construção de uma unidade flutuante de liquidificação de gás natural, um projecto intermédio que permite antecipar as receitas do gás.

O projecto inclui igualmente um gasoduto de 45 quilómetros que transportará o gás da plataforma de extracção até à unidade de transformação em terra, actualmente em fase de planeamento pelos grupos ENI e Anadarko Petroleum, estimando-se que a ExxonMobil venha também a adquirir parte do consórcio que em terra irá gerir o processo de escoamento/exportação do gás processado.

O Africa Monitor Intelligence escreveu também que ExxonMobil apresenta-se agora como potencial comprador dos activos da Anadarko Petroleum, principal accionista do outro grande projecto de desenvolvimento na bacia do Rovuma – Área 1 – devendo assumir-se a médio prazo como o principal interveniente do gás natural em Moçambique.

O grupo Anadarko Petroleum detém 26,5% do consórcio, em que participam ainda a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), com 15%, Mitsui E&P Mozambique Area 1 Ltd. (20%), ONGC Videsh Ltd. (16%), Bharat PetroResources Ltd. (10%), PTT Exploration & Production Plc (8,5%) e Oil India Ltd (4%).

O boletim AMI informou que o grupo norte-americano tem pouca vocação para a comercialização da produção, centrado a sua actividade na prospecção e posterior venda de activos, sendo no entanto expectável que venha a manter uma posição minoritária no bloco.

A decisão final de investimento deste projecto tem estado a ser protelada muito além dos planos iniciais, prevendo-se um prazo de construção de quatro anos até que se inicie a produção e exportação de gás natural.

O mercado asiático, onde o consumo de gás natural tem vindo a registar maiores níveis de crescimento, tem sido alvo dos dois grandes projectos de gás natural na bacia do Rovuma. (Macauhub)

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