Mercados financeiros com interesse renovado em Angola

21 January 2013

A criação do Fundo Soberano de Angola e uma emissão internacional de dívida organizada pelo banco russo VTB renovaram o interesse dos mercados financeiros em Angola, segundo o sítio EMEA Finance.

Com o crescimento económico em aceleração, para próximo de 8% em 2012 e 2013, e a dívida soberana angolana cotada pela Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s, aguarda-se agora uma emissão de títulos do Tesouro, que tem vindo a ser adiada, adianta o sítio.

“As notícias do fundo soberano de Angola e o lançamento dos títulos de participação [do banco VTB] estão a renovar a atenção dos investidores em relação ao país”, adianta a EMEA Finance em análise publicada na semana passada, com o título “Angola: A Ganhar Ímpeto”.

Em meados do ano passado, o banco russo VTB concedeu um empréstimo ao governo de Angola que depois procedeu a uma emissão de títulos de participação vendidos no mercado financeiro secundário.

Em consequência, mil milhões de dólares de títulos angolanos estavam a ser negociados em Agosto nos mercados internacionais.

Apesar de uma emissão de euro-obrigações, que deverá ser conduzida pela JP Morgan, ter sido revista de um montante de 4 mil milhões de dólares para 500 milhões de dólares, a operação ainda não está montada.

Mesmo não sendo “a oportunidade que os investidores internacionais esperavam”, os títulos emitidos pelo VTB “negociaram-se bem e valorizaram-se nas semanas após a emissão”, o que sugere que “quando Angola proceder a uma verdadeira emissão receberá um bom acolhimento”, refere a EMEA.

Para o analista da EMEA, ainda mais significativo foi o anúncio da criação do fundo soberano de Angola, que irá investir parte das receitas petrolíferas do país, gerindo activos avaliados em 5 mil milhões de dólares, o equivalente a 5% do PIB angolano.

A aplicação dos capitais será efectuada em projectos de infra-estruturas em Angola e noutros países, activos financeiros e vários sectores empresariais.

Para Edward George, do Ecobank, este é um passo “muito bem-vindo” e o fundo destaca-se pela sua dimensão em relação a pares africanos como a Guiné Equatorial, que aplicou 80 milhões de dólares, ficando apenas atrás do Botswana.

“Como começo, é uma forte declaração de intenções e definitivamente aquilo que Angola deve fazer com as suas receitas petrolíferas”, afirmou George.

As agências de notação financeira consideram a criação do fundo uma medida positiva para a notação de risco angolana, por ser um sinal de que o governo está a gerir de forma sustentável as suas receitas petrolíferas.

“O próximo desafio para Angola é capitalizar o crescente interesse dos investidores”, adianta a EMEA.

Aguarda-se no futuro próximo a emissão de euro-obrigações e o lançamento da bolsa de valores angolana, seis anos depois de lançado o projecto, esperando-se que os bancos locais estejam na dianteira para dispersar parte do seu capital e assim financiarem a sua expansão.

“Há muitos projectos e uma clara intenção do governo tornar-se mais sofisticado e desenvolver a economia e os mercados de capitais”, afirma Pedro Pinto Coelho, presidente do Standard Bank de Angola, que salienta contudo a necessidade de ultrapassar dificuldades como a falta de recursos humanos com a qualificação necessária.

“A economia está a crescer de uma maneira muito robusta, impulsionada pelos altos preços petrolíferos, tornando-a uma força a ter em conta pela comunidade internacional. Tornou-se um país atraente, competitivo e placa giratória para o investimento internacional”, afirmou António Gaioso Henriques, presidente do Banco Millennium Angola. (macauhub)

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