Fórum Macau projecta influência da China na economia mundial

O elevado nível dos participantes na conferência ministerial do Fórum Macau de 2016 é interpretado por analistas como sinal da crescente importância do bloco de língua portuguesa na projecção internacional em que a China está empenhada.

O analista David Dodwell disse que a presença do primeiro-ministro da China, Li Keqiang e do ministro do Comércio, Gao Hucheng, durante 3 dias em Macau, para participar na conferência ministerial, é “reveladora” do esforço de diplomacia “branda” que a China está a desenvolver, tentando “construir uma maior influência na economia mundial.”

Juntamente com o Fórum Macau, adianta Dodwell num artigo no jornal de Hong Kong South China Morning Post, o reforço da influência da China alicerça-se noutros instrumentos, como a estratégia “Uma Faixa, Uma Rota”, o Fórum para a Cooperação China África ou o Conselho Empresarial China África.

Brasil, Angola e Portugal, justificam individualmente, para Dodwell, o tempo investido por Keqiang em Macau, e, apesar das dificuldades económicas vividas por estes países, a perspectiva da China é “indubitavelmente de longo prazo” e o actual momento “não deverá deter os esforços diplomáticos, em particular se acompanhados de generosos investimentos.”

Outro objectivo de Keqiang, para Dodwell, foi apoiar Macau, afectado pela quebra na indústria do jogo, no seu posicionamento como centro financeiro para estabelecer uma ligação com as economias de língua portuguesa.

Já no aeroporto e antes de deixar Macau na quarta-feira, o primeiro-ministro da China disse acreditar que Macau, que historicamente foi a porta da China para o exterior, vai desenvolver-se ainda mais e, no futuro, desempenhará um importante papel na abertura da China ao mundo.

No mais recente número da revista Macao, José Luís de Sales Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, afirma que a iniciativa “Uma faixa, Uma Rota” cria um enquadramento que dá “significado e foco” às iniciativas de crescimento e desenvolvimento do Fórum, que tem os “conhecimentos necessários” para os investimentos em relacionamento e infra-estruturas previstos na estratégia.

A infra-estrutura financeira de apoio à estratégia, adianta, tal como o Banco Asiático de Investimentos Internacionais e o Fundo para a Rota da Seda, pode disponibilizar conhecimentos técnicos e oportunidades para “investimentos sólidos em projectos infra-estruturais em países de língua portuguesa para investidores privados e institucionais de Macau, bem como o futuro Fundo de Macau.”

Uma das novidades da V Conferência Ministerial, a 11 e 12 de Outubro, foi que a sede do fundo de 1000 milhões de dólares para investimentos nos países de língua portuguesa anunciado pela China em 2010 vai ser transferida de Pequim para Macau para facilitar o contacto junto dos potenciais interessados.

A conferência foi considerada pelo secretário Lionel Leong como uma das mais produtivas de sempre, com a apresentação de 18 medidas em favor dos países de língua portuguesa e de 19 outras de apoio ao desenvolvimento de Macau, como o fundo, que poderá “reflectir melhor, Macau como (um) centro financeiro”, ajudando “a realizar ou a processar todas as operações entre a China e os países de língua portuguesa.”

As novas medidas destinadas a aprofundar o papel de Macau incluem a sua transformação numa plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa, a criação da Confederação dos Empresários da China e dos Países de Língua Portuguesa e de uma base de formação de profissionais bilingues em chinês e português.

As medidas incluem igualmente o Centro de Intercâmbio Cultural e o Centro de Intercâmbio sobre a Inovação e o Empreendedorismo dos Jovens entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a construção do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

O primeiro-ministro da China Li Keqiang anunciou a concessão de pelo menos 2 mil milhões de yuans (300 milhões de dólares) em empréstimos em condições preferenciais aos países de língua portuguesa de África e da Ásia membros do Fórum, visando fomentar a capacidade produtiva dos países beneficiários.

Para 20 a 22 de Outubro está marcada a 21.ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF), que conta com a participação de mais de 50 países e regiões, distribuídos por mais de 1600 “stands”, segundo o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau.

A Feira dispõe do “Pavilhão temático do país parceiro – Portugal” e do “Pavilhão temático da cidade parceira – Pequim” na entrada, com uma área total de mais de 800 metros quadrados. (Macauhub)

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