Crise global reforça importância de relações de Angola com a China e o Brasil

17 October 2011

Lisboa, Portugal, 17 Out – A crise económica global está a reforçar a importância para o crescimento de Angola do estreitamento das relações com a China e o Brasil, por serem economias mais dinâmicas do que os Estados Unidos da América ou a Europa, afirma o português Banco BPI.

Os países BRIC, com os quais Angola realiza cerca de um terço das suas trocas comerciais, e em particular a China e o Brasil, “embora não imunes à desaceleração mundial, oferecem perspectivas de crescimento comparativamente mais favoráveis”, afirma o BPI no seu mais rente relatório sobre a economia angolana.

Para 2011, adianta, as perspectivas de crescimento para Angola continuam a ser “fortes”.

Mas a turbulência nos mercados internacionais e os sinais de arrefecimento das economias dos Estados Unidos da América, Europa e Japão podem levar a uma quebra na procura mundial de matérias-primas, em particular o petróleo, “principal canal de contágio à economia angolana”, sublinha.

A conjuntura ameaça afectar também a disponibilidade para o investimento estrangeiro, mas “estes efeitos poderão ser atenuados pelas relações estreitas que Angola vem aprofundando com outros mercados emergentes em forte crescimento”, caso do chinês, brasileiro e outros emergentes.

Segundo dados oficiais chineses divulgados em Macau, nos primeiros oito meses do ano, o comércio bilateral entre Angola e China ascendeu a 17 857 milhões de dólares.

Angola colocou na China produtos no valor de 16 168 milhões de dólares e comprou mercadorias que ascenderam a 1 688 milhões de dólares.

As mais recentes previsões do FMI para a economia angolana apontam para um crescimento de 3,7% em 2011 e 10,8% em 2012, sustentado nos sectores não-petrolíferos.

Devido ao menor “ímpeto público como catalisador do consumo e investimento privado”, reflectido na evolução das despesas públicas correntes e investimento, o BPI revê em baixa no relatório as suas previsões de crescimento para a economia angolana, de 6,3% (em Maio), para 2,5%.

“Para 2012, as perspectivas de produção petrolífera são mais animadoras, com a entrada em exploração de novos poços”, referem os economistas do banco português, que controla o angolano Fomento.

O preço do petróleo tem vindo a cair nos últimos meses, embora a tendência actualmente seja de maior estabilidade.

A produção petrolífera angolana tem este ano ficado abaixo das expectativas, mas “a situação tende a mudar no último trimestre, com o início da laboração de novas unidades”, sublinha o BPI.

“Ainda assim, o desempenho das exportações petrolíferas tem sido positivo e permitido uma acumulação de reservas internacionais a um ritmo mensal superior ao esperado”, actualmente acima dos 22 mil milhões de dólares, sublinha.

O BPI salienta ainda os esforços em curso de diversificação da economia, que passam pelo início da laboração do projecto de extracção de gás liquefeito, que deverá começar a produzir resultados em 2012.

Angola tem reservas de gás natural provadas que são suficientes para fornecer cerca de 5,2 milhões de toneladas por ano, mas este número poderá mesmo ser superior, uma vez que “a maior parte das águas profundas e ultra-profundas tem potencial a este nível e as respectivas prospecções ainda não foram realizadas”. (macauhub)

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