Centro de formação da Huawei cria oportunidades para Angola nas tecnologias de informação

22 August 2016

Angola é um de apenas sete países africanos onde o grupo chinês Huawei criou centros de formação, que para o investigador Benjamin Tsui são uma oportunidade para estes países adquirirem conhecimentos nas tecnologias de informação.

Tsui, num estudo para o China-Africa Research Initiative, da universidade norte-americana Johns Hopkins, defende que o envolvimento de grupos de telecomunicações como a Huawei “pode ajudar a melhorar as infra-estruturas, bem como cultivar quadros locais através de transferência de conhecimento e tecnologia.”

O investigador deixa um conjunto de recomendações aos governos dos países onde a grupo chinês está presente, incluindo o estabelecimento de parcerias com escolas e universidades, prevendo programas de formação e estágios e também com empresas e operadores de telecomunicações locais.

Criar incentivos para as empresas estrangeiras estabelecerem centros de formação e flexibilizar legislação laboral são outras recomendações deixadas pelo investigador norte-americano.

O director da Huawei para Angola, James Yang, afirmou 3m 2015 que a subsidiária do grupo chinês já tinha dado formação em telecomunicações a mais de 800 técnicos angolanos, tendo criado mais de 500 postos de trabalho desde que em 2006 entrou no mercado angolano em 2006.

A Huawei é considerada líder de mercado de Angola, onde os seus resultados aumentaram entre 15% e 20% em 2015, de acordo com o director da sucursal, que tem um contrato de exclusividade com a maior operadora de telecomunicações do país, a Unitel.

Em Moçambique, o grupo Huawei está também a preparar acções de formação em tecnologias de informação e comunicação, num projecto denominado “Sementes de Moçambique para o Futuro” em colaboração com o Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social, disse recentemente o vice-presidente do grupo, Guo Tian Min, em Maputo.

No conjunto dos países africanos, a Huawei presta formação a cerca de 12 mil alunos por ano, estabelecendo como objectivos, no âmbito da responsabilidade social, a transferência de conhecimento e contratação de mão-de-obra local.

Benjamin Tsui disse ainda que a aposta em trabalhadores africanos, que constituem cerca de 60% da mão-de-obra do grupo Huawei em África, justifica-se também pela rápida expansão da indústria de tecnologias de informação nestes países, pelo maior conhecimento das realidades locais, custos mais baixos do que trazer trabalhadores chineses e também por incentivos legais à contratação local.

Angola, um dos mercados de telecomunicações com maior crescimento nos últimos anos em África, atraiu também outro grupo chinês do sector, a ZTE, que lançou com a Movicel, outra operadora angolana do país, a rede de quarta geração (4G). (Macauhub/AO/CN)

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