Projectos hidroeléctricos em Moçambique atraem grupos chineses Three Gorges e State Grid

23 June 2015

Moçambique é um país-alvo na internacionalização da China Three Gorges e State Grid e dois importantes projectos hidroeléctricos em fase de lançamento estão a merecer o interesse destes grupos chineses e respectivas participadas portuguesas.

Paulo Muxanga, presidente da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), disse recentemente que a muito aguardada construção da central norte do aproveitamento hidroeléctrico de Cahora Bassa deverá iniciar-se em breve, projecto que, segundo o Diário Económico, está “na mira” dos dois grupos chineses.

A CTG quer, em parceria com a EDP – Energias de Portugal, de que é o maior accionista com 21,35%, participar na futura construção deste empreendimento de 1250 megawatts, com um custo avaliado pelo governo moçambicano em 413 milhões de dólares, adianta o jornal português.

A State Grid, que é o maior accionista da Redes Energéticas Nacionais (REN), empresa portuguesa que detém 7,5% da HCB, posiciona-se como concorrente da CTG no projecto.

Fonte oficial da REN afirmou que o projecto da nova central norte é “muito relevante para a HCB” e que a empresa está a acompanhá-lo, enquanto accionista da hidroeléctrica moçambicana.

O plano de negócios da REN para 2015-18 prevê um reforço do investimento na internacionalização, para 900 milhões de euros, em mercados emergentes em África e na América Latina.

Já a EDP afirma que Moçambique “é um mercado estratégico”, que “pode ser um vector importante de internacionalização” para a empresa, que “contribuirá para o desenvolvimento estratégico do sector no país, nomeadamente no projecto de Cahora Bassa norte, na medida em que o governo moçambicano assim o entender.”

Outro projecto que está na mira da State Grid é o da central hidroeléctrica de Mpanda Nkua, projectada para ser a segunda maior hidroeléctrica do país e entregue a construtoras brasileiras em 2010, mas que se deparou com dificuldades de financiamento.

A State Grid propõe-se também financiar e construir a barragem e as autoridades moçambicanas decidiram dar uma nova configuração accionista à sociedade gestora de Mpanda Nkua.

A ideia contou com a resistência da brasileira Camargo Corrêa, que exige ser ressarcida do investimento e das garantidas assumidas no contracto de concessão, segundo a imprensa moçambicana.

Os últimos cenários indicavam que a State Grid ficaria com entre um terço e 40% da central de Mpanda Nkua, menos do que os 60% que pretendia, enquanto a sul-africana Eskom, seu futuro cliente, teria 20%, a Électricité de France e a Eletrobras entre 10% a 15%, cada uma, e o restante seria repartido entre EDM e privados moçambicanos.

Com uma capacidade instalada de 1500 megawatts, a central é um activo determinante para a rentabilização da linha de transporte que será gerida pela Sociedade Nacional de Transporte de Energia (SNTE).

A criação da SNTE, que ligará o centro ao sul de Moçambique, representa uma parceria entre a State Grid, que ficou com 46% do capital da empresa e responsabilidade do financiamento, com a REN, que manteve uma participação de 14%, enquanto a Eskom e a EDM ficam com 20% cada. (Macauhub/BR/CN/MZ/PT)

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