Em tempo de crise, a China é cada vez mais uma oportunidade para as empresas portuguesas

3 May 2011

Lisboa, Portugal, 02 Mai – Com a economia em recessão e uma situação financeira delicada no país, as empresas portuguesas têm na China uma oportunidade cada vez maior, mas devem estar preparadas para forte concorrência, de acordo com o instituto de investigação económica Megatrends Asia.

Foong Wai Fong, directora do instituto, aconselhou as empresas portuguesas a “apostarem na Internet e nas cidades de dimensão média” para crescer na China, “olhando para as regiões que ainda não entraram no radar”.

“O mercado nas principais cidades já está maduro” e “todas as maiores marcas mundiais disputam os cerca de 10 por cento dos 1,3 mil milhões de chineses que chegam ao fim do mês com dinheiro para gastar”, afirmou a especialista em declarações ao jornal português Vida Económica.

Apesar de se apresentar como “uma grande oportunidade” para as empresas portuguesas, é necessário “desenvolver uma estratégia de valor” para as diferentes marcas ou grupo de produtos, defendeu Foong, à margem do seminário “China: The next 10 years”, organizado recentemente pela Escola de Gestão do Porto – University of Porto Business School (EGP-UPBS).

“O que andaram a dizer aos empresários é que a China tem um mercado potencial de 1,3 mil milhões de pessoas, mas esqueceram-se de dizer é que há também um número igualmente grande de empresas a competir pelo mercado chinês. O mundo está todo lá”, adiantou.

As trocas comerciais entre os dois países têm vindo a crescer rapidamente nos últimos meses, segundo estatísticas oficiais.

Em Janeiro e Fevereiro, as trocas entre Portugal e a China atingiram 590 milhões de dólares, com a China a vender a Portugal bens no valor de 460 milhões de dólares (mais 36,20 por cento) e a comprar mercadorias no montante de 130 milhões de dólares (mais 37,1 por cento).

Apesar de haver vários casos de sucesso de empresas portuguesas na China, nomeadamente em Macau, vários especialistas têm vindo a alertar para a dificuldade de acesso ao mercado daquele país.

Para Foong “hoje em dia, os chineses sabem muito pouco sobre Portugal”, pelo que o país “vai ter que se posicionar”.

“As empresas portuguesas devem questionar o que há de tão único nos seus produtos, o que há de tão especial nas marcas portuguesas e o que é que existe em Portugal que possa despertar o interesse e a curiosidades dos chineses”, disse a directora da Megatrends Asia.

A coordenadora do programa Managing Internationally da EGP-UPBS, Ana Teresa Lehmann, salientou que os mercados asiáticos “ainda não possuem uma relevância no comércio internacional português e da região do Norte, a principal região exportadora portuguesa, que reflicta a sua importância económica actual”.

Lehmann sublinhou que existe “um interesse crescente nesses destinos potenciais de comércio e de investimento” e que existe “uma enorme oportunidade a explorar”.

Essa oportunidade, disse, não passa pela aposta em “produtos de baixo preço”, mas sim em “nichos muito interessantes”, nomeadamente no têxtil/vestuário e calçado de luxo, o agro-alimentar (incluindo vinhos), empresas de maquinaria e metalomecânica, de engenharia e energia.

“E um nicho na China é como um continente no resto do Mundo”, acentuou. (macauhub)

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