Inflação em Moçambique sob controlo apesar de desvalorização do metical

19 January 2016

A tendência positiva das previsões económicas e financeiras de Moçambique diminuiu nos últimos meses, apesar de o crescimento continuar forte, mas os esforços das autoridades para controlar a inflação deverão ter sucesso, prevê o Banco BPI.

A desvalorização do metical (cerca de 50% em 2015), refere o BPI no seu mais recente relatório sobre a economia moçambicana, está a pressionar a subida da inflação, (5,7% em Novembro), obrigando o Banco de Moçambique a uma política monetária mais restritiva para alcançar o objectivo de 2015.

Novas medidas serão necessárias para manter os preços controlados em 2016, até porque o peso dos bens importados no Índice de Preços ao Consumidor de Moçambique é de 60% e uma queda cambial tem historicamente um efeito “acentuado” na inflação.

Os esforços das autoridades são favorecidos pelas políticas macroeconómicas prudentes dos últimos anos, uma sobreavaliação recente do metical, que dá espaço para que a política cambial convirja para o equilíbrio e, sobretudo, a desvalorização do rand da África do Sul, principal parceiro comercial moçambicano, refere o BPI.

Para estimar a taxa de inflação de 2016, o banco traça 3 cenários e, considerando a taxa de câmbio das 3 principais dividas (dólar, euro e rand) e o peso de cada uma nas trocas comerciais moçambicanas (50% no caso do rand), a desvalorização real do metical (9,4%) é até inferior ao tecto da sobrevalorização (10%) que o FMI calculava para a moeda.

Assim, os economistas do BPI concluem que a inflação deverá manter-se abaixo dos dois dígitos (5,6% no terceiro cenário, com um peso de 60% dos bens importados no IPC), apesar de poder ficar acima do objectivo oficial (5% a 6%) e assumindo mais restrições na política monetária em 2016, incluindo ao nível da procura por moeda estrangeira.

Num contexto de desvalorização do metical, as reservas internacionais de Moçambique caíram em 2015 de 2,88 mil milhões de dólares para 2 mil milhões, enquanto as contas externas se degradaram, “face a uma menor actividade dos grandes projectos, queda dos donativos e redução do investimento directo estrangeiro.”

Nas exportações, a maior dificuldade continua a ser a queda dos preços das matérias-primas, que segundo o FMI atingiu 22% no caso dos metais e 16% na agricultura, duas categorias especialmente importantes para Moçambique, grande exportador de alumínio, minérios extraídos das areias pesadas, carvão e açúcar.

“Dado o elevado peso da China no consumo mundial de matérias-primas, a passagem para o `novo normal´ constitui um dos principais factores de pressão descendente dos preços nos mercados internacionais. Adicionalmente, também o excesso de oferta estará na base da queda dos preços das matérias-primas”, refere o BPI.

O mesmo se verifica no gás natural, embora “as principais empresas de gás em Moçambique (Anadarko Petroleum e ENI) continuem confiantes na viabilidade dos respectivos projectos”, tal como a Moody’s, que “ considera que a viabilidade do projecto não estará em causa e deverá manter a elasticidade face aos persistentes baixos preços.”

Pelo contrário, a Economist Intelligence Unit considera que a produção de gás natural em quantidades significativas deverá apenas ocorrer em 2025, já que o mercado estará abastecido até meados de 2020.

“Embora Moçambique enfrente novos desafios”, adianta o BPI, as agências de notação de risco “continuam a antecipar taxas de crescimento favoráveis” para 2016, de 7,5% segundo Moody´s e Standard & Poor’s, mais optimistas do que o FMI (6,5%) e governo (7%), coincidindo todos na previsão de uma aceleração do crescimento no período 2016/17. (Macauhub/MZ)

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