Empréstimo do Banco de Desenvolvimento da China à Sonangol revela “relação próxima” entre Angola e China

11 March 2013

O empréstimo de 1,32 mil milhões de dólares recentemente concedido pelo Banco de Desenvolvimento da China à Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) revela a “relação próxima” entre os dois países, que vai “manter-se forte”, afirma a Economist Intelligence Unit.

“O empréstimo sublinha a nossa expectativa de que as relações entre Angola e a China vão continuar fortes e, na sua maior parte, centradas no petróleo”, refere a EIU no seu mais recente relatório sobre Angola.

Somando-se a perto de 15 mil milhões de dólares concedidos nos últimos anos por instituições financeiras chinesas a Angola, o crédito é concedido numa altura em que Angola dá sinais de tentar diversificar as suas fontes de financiamento internacional, avultando entre as alternativas a Rússia.

Contraído através da subsidiária Sonangol Finance Limited, este empréstimo terá uma maturidade de 10 anos e pagará uma taxa de juro equivalente à Libor (London Interbank Offered Rate) acrescida de 3,5 pontos percentuais.

De acordo com a petrolífera, este empréstimo “demonstra a robustez do modelo de financiamento a longo prazo da Sonangol, que permitiu nos últimos sete anos contrair empréstimos de cerca de 18 mil milhões de euros, dos quais mais de 50% já foram reembolsados.”

No anúncio do acordo, as duas entidades não precisaram para que fim se destina o financiamento.

Para a Economist, o acordo mostra a “sólida reputação financeira” da Sonangol que, além da sua grande dimensão, tem uma vasta rede de empresas subsidiárias nos transportes aéreos, telecomunicações e imobiliário, além de acções em vários bancos e seguradoras.

Em 2011, a empresa registou lucros de 3,32 mil milhões de dólares, uma subida de 32% em relação ao ano anterior.

“A Sonangol há muito que é vista como um oásis de eficiência em Angola comparativamente a alguns departamentos governamentais, apesar de por vezes ser criticada a sua ‘opacidade”, adianta o relatório.

A EIU recorda que vários novos negócios foram formalizados desde a visita a Angola de Li Jinzao, vice-ministro do Comércio, em Outubro de 2012, que reforçou os laços diplomáticos entre a China e o seu maior parceiro comercial em África.

“Avultados acordos de comércio e investimento, particularmente no petróleo, construção e agricultura, aprofundaram a relação nos últimos anos.

As empresas chinesas estabeleceram-se nos sectores da construção, telecomunicações, comércio, energia e minas”, adiantam os analistas da EIU.

As previsões da EIU para a economia angolana são largamente favoráveis, com o barril de petróleo a poder vir a ter um preço superior ao que serviu de base à elaboração do Orçamento de Estado, dando origem a um excedente orçamental que poderá atingir 4,6% do Produto Interno Bruto. (macauhub)

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