Macau e renminbi marcam relações entre a China e os países de língua portuguesa em 2016

As relações entre a China e os países de língua portuguesa foram marcadas em 2016 pela 5.ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau, que reforçou a importância da Região Administrativa Especial, do da moeda chinesa e das parcerias industriais.

A quebra do preço das matérias-primas afectou as economias de Brasil, Angola e Moçambique e traduziu-se numa redução das trocas comerciais destes países com a China, mas também numa diversificação da relação, coincidindo com a nova política do governo central da China para África.

Se no Brasil a crise significou uma oportunidade para múltiplos investimentos chineses, como a compra de uma participação de 15% da CPFL Energia pela China State Grid Corporation, em Angola e Moçambique tornou o financiamento chinês ainda mais importante do que já era.

Xu Yingzhen, secretária-geral do Fórum Macau, disse que nos últimos três anos os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste receberam da China cerca de 240 milhões de euros em empréstimos com condições vantajosas, conforme acordado em 2013, no Plano de Acção 2013-2016, que saiu da 4.ª Conferência Ministerial do Fórum.

A estratégia “Uma Faixa, Uma Rota” e o reforço da capacidade produtiva de países de língua portuguesa integram o próximo plano de acção do Fórum de Macau, saído da conferência ministerial de 11 e 12 de Outubro, bem como a internacionalização do renminbi, facilitador do investimento e trocas comerciais – para as empresas – e do financiamento – para os Estados, que terá um pólo importante no sector financeiro de Macau.

Numa conferência em Lisboa em Setembro, Anselmo Teng, presidente da Autoridade Monetária de Macau, que sublinhou que a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) está a estabelecer uma plataforma de compensação de RMB entre a China e Portugal, “podendo ser apoiados os procedimentos de internacionalização” da moeda chinesa e a “prestação de facilidades na compensação das transacções económicas e comerciais em RMB entre a China e os países de língua portuguesa.”

O potencial de desenvolvimento na utilização transfronteiriça do RMB entre a China e os países de língua portuguesa é muito amplo, dado o actual nível das trocas comerciais, de mais de 98 mil milhões de dólares em 2015, adiantou Teng.

A quinta reunião ministerial do Fórum Macau, mais de uma década depois do início da instituição, contou com cinco primeiros-ministros – Portugal, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e China – sendo já considerada a de mais alto nível de sempre.

O primeiro-ministro da China Li Keqiang anunciou a concessão de pelo menos 2 mil milhões de yuans (300 milhões de dólares) em empréstimos em condições preferenciais aos países de língua portuguesa de África e da Ásia membros do Fórum, visando fomentar a capacidade produtiva dos países beneficiários.

Outra novidade da Conferência foi que a sede do fundo de 1000 milhões de dólares para investimentos nos países de língua portuguesa anunciado pela China em 2013 vai ser transferida de Pequim para Macau para facilitar o contacto com os potenciais interessados.

Em artigo na revista Macao, José Luís de Sales Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, afirma que a infra-estrutura financeira de suporte à estratégia “Uma faixa, Uma Rota”, tal como o Banco Asiático de Investimentos Internacionais e o Fundo para a Rota da Seda, pode disponibilizar conhecimento técnico e oportunidades para “investimentos sólidos em projectos infra-estruturais em países de língua portuguesa (PLP) para investidores privados e institucionais de Macau, bem como o futuro Fundo de Macau.”

As novas medidas destinadas a aprofundar o papel de Macau incluem a sua transformação numa plataforma de serviços financeiros China-PLP, a criação da Confederação dos Empresários da China-PLP, de uma base de formação de profissionais bilingues em chinês e português e a construção do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial China-PLP.

Na visita à China, que antecedeu a participação na Conferência do Fórum Macau, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, aproveitou uma audiência com o Presidente da China, Xi Jinping, para solicitar mais investimento chinês, que tem sido constante, sendo o caso mais recente o da Fosun no maior banco privado do país, Banco Comercial Português, onde se tornou parceiro da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol).

Paralelamente, o Banco de Portugal está a negociar com o grupo China Minsheng a venda do Novo Banco, com importantes activos em Moçambique e outros países de língua portuguesa.

2017 ficou ainda marcado pelo lançamento e conclusão de diversos projectos de infra-estruturas financiadas pela China nos países de língua portuguesa, e pelo bom desempenho das mais pequenas, mas também mais diversificadas, economias do mundo em língua portuguesa.

De acordo com o FMI, a economia guineense irá crescer 4,8% em 2016, a são-tomense 4%, e a cabo-verdiana 3,6%; Moçambique, num contexto de austeridade e incerteza devido à situação política e de segurança, tem uma estimativa de 4,5%, Angola está em estagnação e a Guiné Equatorial deverá registar uma recessão de 9,9%. (Macauhub)

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