Macau faz “ponte” para oportunidades de negócio ambientais entre a China e países de língua portuguesa

Macauhub

O reforço da cooperação entre a China e os países de língua portuguesa a nível ambiental vai proporcionar oportunidades de negócio e Macau está particularmente bem posicionado para fazer a “ponte” entre as empresas, de acordo com responsáveis do sector.

Na conclusão, após um encontro com empresas e associações do sector ambiental, da missão a Brasil e a Portugal de representantes de 9 províncias da região do Pan-Delta do Rio das Pérolas, Hong Kong e Macau, Jackson Chang, presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), afirmou à Macauhub que estes são os “primeiros passos” de aproximação a nível ambiental.

A missão organizada pelo governo da Região Administrativa Especial de Macau, que culminou com um jantar de intercâmbio entre representantes dos governos do Pan-Delta e sector ambiental de Portugal foi “o início de uma prolongada marcha de cooperação para o futuro”, afirmou Chang.

A visita, fruto de interesse manifestado pelas províncias do Pan-Delta, terá sequência no MIECF – Fórum Internacional de Cooperação Ambiental de Macau, entre 31 de Março e 2 de Abril, além de outras iniciativas, como a disponibilização em plataforma electrónica de uma “lista de vendedores, compradores e dos que estão interessados em encontrar parcerias” nestas áreas, disse Chang ao Macau Hub.

“Podemos organizar contactos entre essas empresas, para que futuramente organizem parcerias”, referiu o presidente do IPIM, que acrescentou que Macau tem capacidade para desempenhar “esse papel de plataforma e de ponte para os países de língua portuguesa, especialmente Portugal.”

O subchefe da delegação chinesa, Jiang Xiao Ting, presidente da Sociedade Científica Ambiental de Sichuan, considerou a visita a Brasil e Portugal “muito frutífera”, com “resultados notáveis.”

Particularmente úteis para a região do Pan-Delta, afirmou Ting à Macauhub, será a experiência brasileira de gestão integrada de bacias hidrográficas, o acompanhamento das mesmas via satélite e ainda o sistema de base de dados integrada.

Em Portugal, adiantou, foi dado a “partida para iniciar mais projectos de cooperação e estreitar laços” com empresas e associações empresariais portuguesas.

“É muito provável que haja, como próximo passo, projectos de cooperação entre empresas chinesas e dos países de língua portuguesa, especialmente portuguesas. Nos contactos com a comunidade local, percebemos que há muitos projectos que podemos desenvolver em conjunto bem como temas que são do interesse comum”, disse Jiang Xiao Ting.

“As empresas devem ser activas e procurar congéneres para estabelecer essa cooperação e o papel de Macau é fundamental, ao servir de plataforma entre a China e os países de língua portuguesa”, adiantou.

O jantar da delegação chinesa com os empresários portugueses contou com a presença do embaixador em Portugal, Cai Run, que afirmou que as relações entre os dois países estão no “auge”, apontando como exemplo o crescimento de 20% no número de chineses a visitar Portugal, que atingiu 180 mil, ligação que será facilitada a partir do próximo Verão, com um voo directo entre Lisboa e Pequim, objecto de um encontro na semana passada entre a Beijing Capital Airlines e responsáveis dos serviços aéreos portugueses.

“A próxima vez que (os participantes no encontro) viajarem para Portugal, disporão de um voo directo, algo mais conveniente”, afirmou o diplomata.

Cai Run salientou também a “alta tecnologia” de que Portugal dispõe nas energias renováveis e o papel de Macau tem representado e pode vir a aprofundar como elo de ligação no processo.

Em representação da administração da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Helena Malcata sublinhou que Portugal “tem sido um exemplo a nível mundial nas energias renováveis” e que está disponível para colaborar com a China.

Antes do jantar, Glória Ung, administradora do IPIM, fez na Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa um balanço do desenvolvimento pela RAEM da plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa.

O centro de distribuição de produtos alimentares dos países de língua portuguesa atingiu recentemente a marca de 1000 artigos em exposição de 99 empresas e o IPIM está a preparar a abertura de mais três pontos de exposição dos mesmos produtos em mais cidades chinesas, incluindo Xangai e Tianjin.

Gloria Ung anunciou que a exposição de produtos e serviços dos países de língua portuguesa no âmbito da Feira Internacional de Macau (MIF) será este ano e pela primeira vez “uma exposição independente”, a decorrer em paralelo com a MIF. (Macauhub)

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