Moçambique capta investimentos de 90 mil milhões de dólares para energia e minas

28 May 2012

Moçambique vai receber nos próximos anos investimentos avaliados em 90 mil milhões de dólares para projectos nos sectores energético e mineiro, cerca de sete vezes o valor actual da economia do país, de acordo com a Economist Intelligence Unit.

No seu mais recente relatório sobre Moçambique, a EIU afirma que o país “está nas fases iniciais de uma expansão sustentável do investimento directo estrangeiro, em resultado do seu potencial energético e mineiro”.

“O investimento em curso ou proposto inclui projectos mineiros, caminhos-de-ferro, portos e outras infra-estruturas, bem como geração de energia hidroeléctrica e termal”, refere a EIU.

O valor de investimento, 90 mil milhões de dólares, inclui projectos em curso ou nas fases iniciais e é mais de sete vezes o PIB actual do país  (12,4 mil milhões de dólares).

Perto de 21 mil milhões de dólares destinam-se à geração de energia e 68 mil milhões ao desenvolvimento de gás natural na província de Cabo Delgado, incluindo 18 mil milhões de dólares da norte-americana Anadarko Petroleum e 50 mil milhões da italiana ENI.

“O montante de investimento é enorme para Moçambique ou para qualquer outra economia”, adianta o relatório.

Embora alguns dos projectos não tenham ainda um calendário preciso, espera-se que a maioria avance nos próximos 10 anos.

Para a EIU, Moçambique “parece estar no limiar de uma expansão do sector energético que promete tornar o país num significativo produtor africano de energia”.

Mais recentemente, a ENI ampliou as suas estimativas de capacidade dos seus blocos de gás na bacia do Rovuma em 10 biliões de pés cúbicos, para 40 biliões.

“As reservas de gás totais na área podem ser até maiores, pois a ENI planeia perfurar mais quatro poços até final do ano”, adianta a EIU.

Sinal do interesse dos grandes grupos do sector é a “batalha” entre a Royal Dutch Shell e a tailandesa PTT pelo controlo da irlandesa Cove Energy, que tem uma participação de 8,5% no consórcio liderado pela Anadarko Petroleum.

Com expectativas de início da produção de gás natural no mar para depois de 2018, o governo moçambicano planeia ainda lançar mais uma ronda de licenças de exploração de blocos na bacia do Rovuma, desta vez na zona sul.

Paralelamente, as autoridades anunciaram um plano para aumentar a participação máxima que o Estado, através da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, detém em futuros blocos petrolíferos, dos actuais 25% para 40%.

“Espera-se que o aumento da participação do Estado seja uma das principais reformas na nova legislação mineira do país”, afirma a EIU.

Com o novo código mineiro, que também vai cobrir a exploração de gás, o governo também procurará taxar fusões e aquisições e estabelecer regras mais estritas para projectos sociais de empresas mineiras.

“Contudo, a nova lei não deverá aumentar a produção e impostos sobre empresas, que são considerados internacionalmente competitivos e não deverá portanto afastar investidores, especialmente dada a extensão da riqueza mineral moçambicana”, adianta. (macauhub)

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