Economia de Moçambique estimulada por infra-estruturas financiadas pela China

4 January 2016

As previsões económicas para Moçambique perderam algum fulgor nos últimos meses, mas um conjunto de novas obras financiadas pela China nas duas principais cidades do país deverá estimular o crescimento.

Após a inauguração do Estádio do Zimpeto, também financiado pela China e a primeira grande infra-estrutura desportiva construída em Moçambique após a independência, em 1975, as atenções centram-se agora na ponte de Catembe, em Maputo, e no novo porto da Beira, a segunda maior cidade moçambicana, de acordo com um levantamento feito pela agência noticiosa Xinhua.

O levantamento das novas obras feito pela agência chinesa indica que a ponte, a inaugurar em 2017, vai abrir novas áreas ao desenvolvimento urbano de Maputo, além de facilitar a ligação entre as duas margens da baía, permitindo um “aumento substancial no desenvolvimento económico, empresarial e turístico” da região de Catembe.

Em construção desde 2014, a ponte, com 3000 metros de extensão, será uma das maiores infra-estruturas do género em África, representando um investimento avaliado em 300 milhões de dólares.

Em Setembro de 2015 iniciaram-se as obras do novo porto da Beira, a cargo da China Harbour Engineering Co., uma infra-estrutura encarada como chave para revitalizar a indústria de pescas do país, estando preparada para servir toda a cadeia produtiva, incluindo refrigeração e exportação de produtos processados.

Outra infra-estrutura emblemática recente da cooperação chinesa em Moçambique é a Estrada Circular de Maputo, que faz a ligação ao estádio do Zimpeto, construída com recurso a financiamento do Banco de Exportações e Importações (ExIm) da China pela China Road and Bridge Corporation, também responsável pelo projecto da ponte de Catembe.

O financiamento do Banco ExIm permitiu ainda a conclusão, em 2012, dos novos terminais do aeroporto internacional de Maputo, o principal do país.

A China tem vindo a ganhar importância entre os principais parceiros externos de Moçambique, prevendo a maior parte dos analistas que essa tendência se venha a acentuar.

A Economist Intelligence Unit afirma que o investimento chinês vai apoiar o fortalecimento das relações e que a China deverá manter-se como o grande credor do Estado moçambicano, estatuto que alcançou recentemente.

O foco da política externa moçambicana, adianta a mesma fonte, é “ligar-se a novos parceiros” como China, Índia e Brasil, “com o objectivo de longo prazo de diminuir o peso da ajuda externa com mais receitas de investimento nos sectores da energia e minas.”

O interesse de grandes empresas estatais chinesas, como a Three Gorges ou a State Grid, nos grandes projectos hidroeléctricos moçambicanos tem sido amplamente referenciado.

Moçambique cresceu na última década a uma média anual de 7,4%, mas, de acordo com a consultora Eaglestone Securities, nos próximos anos o ritmo deverá abrandar, devido à quebra dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais, bem como do menor investimento estrangeiro.

A desvalorização do metical (58% em relação ao dólar em 2015) está a gerar novas pressões na economia, nomeadamente de subida dos preços de bens essenciais, enquanto as reservas estrangeiras têm vindo a ser afectadas pelo aumento do serviço da dívida e menor ajuda externa, entre outros factores. (Macauhub/CN/MZ)

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