Moçambique aposta na indústria para criar 216 mil postos de trabalho

28 January 2013

Indústria e agro-indústria são a grande aposta do governo de Moçambique para criar perto de 216 mil postos de trabalho em 2013, com a economia a registar uma das mais elevadas taxas de crescimento mundiais.

O Programa Económico e Social 2013 moçambicano, aprovado no final de 2012 a par do Orçamento de Estado, define os objectivos macro-económicos e sociais do país, antecipando para este ano um crescimento económico sólido, impulsionado sobretudo pela emergente indústria extractiva, que deverá crescer 18,6%.

O sector financeiro deverá crescer 17,7% e os transportes 14,1%, reflexo da exportação de carvão (7,5 milhões de toneladas), mas o governo espera também um desempenho robusto em sectores como o imobiliário, turismo e indústria.

A agricultura deverá crescer 4,6%, sobretudo devido às explorações de grande dimensão, com as colheitas de caju, chá, açúcar e tabaco a registarem o melhor desempenho, à semelhança de anos anteriores.

O PES prevê a criação de 216 mil postos de trabalho, dos quais 162 mil no sector privado, em parte devido a grandes projectos no valor de 6 mil milhões de dólares, nomeadamente na agro-indústria (açúcar e biocombustíveis), mas também três novas centrais térmicas e hidroeléctricas, uma petroquímica e uma fábrica de cimento.

O governo moçambicano prevê também, de forma ambiciosa, alcançar progressos significativos nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, a concluir em 2015, no domínio da Saúde ou Educação.

Para a Economist Intelligence Unit, é “pouco provável” que seja alcançado o objectivo de criação de emprego, dada a fraqueza actual do mercado de trabalho e a tradicional “execução lenta dos projectos de investimento”, mas de modo geral o PES parece “relativamente realista nas suas projecções macro-económicas”, mais optimistas do que as da EIU.

O maior risco, refere, é que as maiores expectativas de que a exploração de recursos naturais se traduza na melhoria das condições de vida do cidadão comum não sejam cumpridas, gerando insatisfação social.

As previsões do governo apontam para um crescimento de 8,4% este ano, com uma inflação de 7,5%.

As metas estão em linha com as do FMI (8,4% de subida no PIB e 7% de inflação), mas distanciam-se dos da EIU (8% de crescimento e 5,5% de inflação).

“Expectativas mais baixas de crescimento económico e comércio mundial, bem como um cenário incerto para a procura global de matérias-primas, levam-nos a ser mais cautelosos”, diz a EIU no seu mais recente relatório sobre Moçambique a que o macauhub teve acesso.

No ano passado, o desempenho da economia moçambicana foi “notável”, adianta, tendo crescido 7,4% apesar da fragilidade da economia global.

O Orçamento de Estado para este ano projecta a continuação da redução da dependência de ajuda externa, de 40% para 32%, mas ainda assim elevada.

Enquanto países como a Holanda ou Espanha têm estado a reduzir o seu apoio, “novos parceiros” como a China e Índia vão compensando a quebra através de empréstimos.

Em trajectória ascendente está também a subida de receitas fiscais ligadas à extracção de recursos naturais, sobretudo carvão, enquanto se prepara a operação de extracção de gás na bacia do Rovuma, que deverá iniciar-se em 2018. (macauhub)

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