Potencial energético e agrícola de Moçambique disputado por novas potências emergentes

25 April 2011

Macau, China, 25 Abr – O potencial de Moçambique na produção de carvão, biocombustíveis e produtos agrícolas está a ser disputado por novas potências emergentes em busca de recursos naturais à escala global, como a China Índia e Brasil, afirma o investigador Loro Horta.

“A expansão das indústrias extractivas e o crescendo de investimentos estrangeiros têm o potencial para trazer benefícios significativos, mas também trazem novos desafios ao país”, afirma Horta em recente artigo na revista Yale Global.

Tradicionalmente dependente da produção agrícola tradicional e, principalmente, das exportações de caju, açúcar, algodão e chá, a economia moçambicana tem vindo a beneficiar do crescimento do sector mineiro, esperando-se um contributo cada vez maior dos rendimentos do gás natural, carvão e alumínio.

O sector energético é o que mais tem beneficiado do investimento estrangeiro e o Banco Africano de Desenvolvimento prevê mesmo que em 2020 Moçambique será o segundo maior exportador de carvão africano, com vendas anuais próximas de 110 milhões de toneladas.

As reservas carboníferas estão avaliadas em 10 mil milhões de toneladas, “alimentando o interesse da China, Índia e Brasil, todos ansiosos por assegurar novos recursos energéticos para impulsionar o seu rápido crescimento económico”.

O maior investimento individual da China em Moçambique é um projecto de mil milhões de dólares da Wuhan Iron and Steel para extracção de carvão, um valor próximo do que a Índia prometeu investir no sector e do que a brasileira Vale investiu em minas nas províncias da Zambézia e Tete.

Outros recursos abundantes em Moçambique incluem o titânio, gás natural e tântalo e também pedras preciosas como esmeraldas, rubis e safiras, nas províncias de Niassa e Cabo Delgado.

A terra é um bem abundante e, se as empresas brasileiras avançam com projectos de produção de biocombustíveis, a China mostra-se mais interessada na produção agrícola.

De acordo com a Câmara de Comércio de Xangai, o governo de Maputo ofereceu a empresas chinesas o arrendamento de terrenos a um preço de oito dólares por hectare.

“Com os portos e a segurança a impulsionarem as trocas comerciais, a China emergiu como o segundo maior parceiro comercial de Moçambique”, salienta Loro Horta, natural de Moçambique e formado pela Universidade do Exército Nacional Popular e pela Escola Central do Ministério do Comércio da China.

As trocas entre os dois países mais do que triplicaram entre 2007 e 2010, de 208 milhões de dólares para 690 milhões de dólares.

O Banco de Exportações-Importações da China concedeu ao governo de Moçambique mais de 2 mil milhões de dólares para construção de uma grande barragem e empresas chinesas têm vindo a construir estradas, pontes, instalações militares, hospitais e outras infra-estruturas por todo o país.

O governo patrocinou a modernização do principal aeroporto, a construção do Estádio Nacional, inaugurado no passado sábado e do maior centro de convenções moçambicano.

Mas o interesse no país é também estratégico, uma vez que o canal de Moçambique é uma importante rota alternativa ao do Suez.

O país oferece ainda a ligação marítima mais próxima para a Zâmbia e Zimbabué, que têm duas das cinco zonas económicas especiais chinesas em África.

Em Janeiro deste ano, a imprensa moçambicana noticiou que as transportadoras marítimas chinesas estavam a negociar com o governo moçambicano a modernização e expansão do porto da Beira, que “pode tornar-se em mais uma pérola no `colar de pérolas´ da China”, um conjunto importante de portos no Índico.

Para Horta, o governo moçambicano tem feito “um sofisticado jogo de equilíbrios” perante os diferentes interesses internacionais em presença.

“Contudo, com o crescente sector mineiro de carvão do país, o seu potencial para biocombustíveis e relatos de descobertas de petróleo, este jogo de equilíbrio irá provavelmente tornar-se mais complexo”, afirma o investigador. (macauhub)

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