Descobertas de depósitos de gás natural não param em Moçambique

26 June 2012

Depósitos de gás natural de grandes dimensões continuam a ser descobertos em Moçambique, cativando ainda mais as atenções internacionais para o sector energético do país e em particular para a bacia do Rovuma, afirma a Economist Intelligence Unit.

“Observadores da indústria têm descrito o ritmo e tamanho das descobertas na zona [da bacia do Rovuma] como das maiores e mais significativas dos anos mais recentes”, afirma a EIU no seu mais recente relatório sobre a economia moçambicana.

Na “prolífica” bacia da província de Cabo Delgado (norte), as mais recentes descobertas foram feitas pela Anadarko Petroleum e pela italiana ENI.

Enquanto a Anadarko anunciou a 15 de Maio a descoberta de mais 20 biliões de pés cúbicos de gás, aumentando em 67% cento a sua estimativa de reservas existentes na zona, a ENI quase em simultâneo identificou reservas de 40 biliões de pés cúbicos.

Em parte devido à crescente atenção sobre o gás do Rovuma, o controlo da irlandesa Cove Energy, um dos parceiros da Anadarko no campo gasífero em causa, está a ser activamente disputado entre a Royal Dutch Shell e o grupo estatal tailandês PTT.

A Shell ofereceu 1,7 mil milhões de dólares pela Cove, menos 200 milhões do que a PTT, mas poderá ainda subir a sua oferta, dado que está a tentar reforçar a sua presença no emergente sector energético da África Oriental, escreve a EIU.

Um dos gigantes da indústria, a Shell está também “interessada em comprar à ENI outros activos de exploração em Moçambique”, adianta.

Da “guerra” pela Cove deverá beneficiar também o Estado moçambicano, que recentemente fixou um imposto sobre ganhos de capital, num esforço para taxar operações de fusões e aquisições.

A afirmação de Moçambique como novo produtor energético de dimensão global envolve um investimento de perto de 68 mil milhões de dólares, mais de cinco vezes o PIB do país em 2011.

Um investimento de 18 mil milhões de dólares, que seria o maior na história do país, está a ser planeado pela petrolífera norte-americana Anadarko Petroleum numa unidade de processamento e exportação de gás natural.

Outras grandes empresas internacionais como a Petronas, da Malásia, e a Sasol, da África do Sul, estão também envolvidos no desenvolvimento da indústria de gás natural no país.

Segundo a EIU, o bom momento económico moçambicano está a reflectir-se na actividade do maior porto do país, em Maputo, que viu o tráfego aumentar 30% no ano passado, prevendo-se que atinja 14 milhões de toneladas este ano.

O volume deverá ascender a 40 milhões de toneladas nos próximos seis anos, na sequência de um projecto de expansão em curso avaliado em 1,7 mil milhões de dólares.

As previsões da EIU para o crescimento económico de Moçambique apontam para 8% em 2012 e 8,5% em 2013, abrandando a partir daí para 8,0% em 2014 e 7,8% em 2015. (macauhub)

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