Ano Novo chega com comércio e projectos em trajectória ascendente entre a China e os países de língua portuguesa

3 January 2011

Macau, China, 03 Jan – A China e os países de língua portuguesa entraram no novo ano com as trocas comerciais em trajectória ascendente e com um conjunto de importantes projectos em preparação, saídos da recente reunião ministerial do Fórum Macau.

Depois de uma quebra de cerca de 19 por cento em 2009, ainda assim inferior à do comércio internacional em ano de crise, o comércio entre a China e os oito países lusófonos subiu quase 50 por cento até Novembro de 2010, para 83,36 mil milhões de dólares, segundo os mais recentes dados da Administração das Alfândegas da China.

Os maiores aumentos registaram-se nas trocas com Timor-Leste (80 por cento) e com os dois principais parceiros comerciais chineses no espaço lusófono – Angola (57,8 por cento) e Brasil (47,8 por cento), mas também com Portugal e Moçambique a subida das trocas foi superior a um terço.

Também São Tomé e Príncipe registou uma subida das trocas com Pequim, de perto de 8 por cento, melhor do que Cabo Verde e Guiné-Bissau, com variações negativas.

Um novo plano de acção para a cooperação económica e comercial para o período 2010/2013, prevendo um aumento das trocas comerciais para 100 mil milhões de dólares nos próximos três anos, foi um dos resultados mais marcantes da 3ª conferência ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que Macau recebeu em Novembro.

O montante dos empréstimos bonificados da China irá duplicar face ao anterior Plano de Acção, com novos empréstimos no valor de 1600 milhões de yuan (240 milhões de dólares) nos próximos três anos.

Coube ao primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, anunciar a criação de um fundo de mil milhões de dólares para desenvolver a cooperação financeira entre a China e os países de língua portuguesa.

Foi ainda decidido pelos ministros participantes que o Fórum Macau vai organizar uma base de dados de oportunidades de investimento em todos os países membros que inclua também informação em áreas de interesse empresarial, como procedimentos administrativos de exportação/importação.

Sob a coordenação do secretariado permanente do Fórum, irá ainda ser criado o Grupo de Trabalho do Investimento.

No âmbito dos recursos humanos, a China irá dar formação a 1500 funcionários e técnicos dos países lusófonos, no novo Centro de Formação do Fórum de Macau, com apoio logístico e financeiro do governo de Macau.

A China irá também auxiliar todos os países lusófonos africanos e asiáticos na execução de um projecto agrícola.

O ano passado ficou ainda marcado pela disponibilidade da China para apoiar Portugal, que enfrenta uma difícil situação financeira, comprando títulos de dívida portuguesa.

O ministro português das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, reuniu-se em Dezembro em Pequim com o seu congénere chinês, Xie Xuren, e com o governador do banco central da China, Zhou Xiaochuan.

Ao nível das empresas, a Geocapital, sociedade gestora de participações sociais ligada ao magnata do jogo de Macau Stanley Ho, esteve novamente em destaque, lançando o processo de integração dos bancos que tem vindo a adquirir nos países lusófonos.

A integração das instituições bancárias numa rede tem por objectivo facilitar as relações financeiras entre os referidos países e favorecer a internacionalização das respectivas economias, segundo avançou a “newsletter” África Monitor.

Os primeiros bancos a integrar a rede são o Banco da África Ocidental, da Guiné-Bissau e a Caixa Económica, de Cabo Verde.

Numa altura em que está em vias de iniciar operações na banca de Timor-Leste, através do novo Banco Timorense de Investimento, a Geocapital tem também participações no Banco Privado do Atlântico, de Angola, e no Moza Banco, de Moçambique.

Cabo Verde e Moçambique estiveram em destaque na mais recente edição do estudo “Doing Business”, do Banco Mundial, com melhorias acentuadas dos seus ambientes de negócios no último ano.

Graças à informatização do sistema de licenciamento, abolição de alguns impostos, entre outros factores, o arquipélago subiu dez posições em relação ao ano passado, para 132º, entre 183 países, figurando mesmo no “top 10” dos que mais conseguiram melhorar o ambiente de negócios nos seus países. (macauhub)

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