Portugal e China reforçam posição de principais parceiros comerciais de Angola

14 May 2012

Portugal e China estão a reforçar a sua posição como principais parceiros comerciais de Angola, numa altura de forte aceleração da actividade económica angolana e dos excedentes das contas públicas e externas, de acordo com o português Banco BPI.

“No que respeita às exportações reforça-se a hegemonia do petróleo, de que a China é o mais importante comprador, enquanto que do lado das importações predominam os bens de consumo, continuando Portugal a apresentar uma posição de destaque, embora a China vá ganhando algum terreno”, refere o banco no mais recente relatório sobre Angola.

O crescimento do peso da China enquanto destino das exportações petrolíferas angolanas, actualmente próximo de 45% do total, tem sido inversamente proporcional ao do fluxo para os Estados Unidos, hoje inferior a 20%.

Na importação de bens, a China está na segunda posição, com uma quota inferior a 10%, à frente dos Estados Unidos e Brasil, enquanto Portugal lidera a lista com 15%.

“Evidencia-se a consolidação das posições de Portugal e China como principais parceiros comerciais”, afirma o BPI no relatório de Maio.

Empurradas pelo bom desempenho do preço do petróleo, que compensou uma queda na produção, as contas externas angolanas revelam um excedente superior a 8% do PIB e a balança comercial tem um claro saldo positivo.

“A persistência da pujança do sector extractivo conjugada com níveis de procura interna ajustados ao rendimento assegura excedentes nas contas públicas e externas pelo que durante os próximos anos o governo angolano vai desfrutar de folga orçamental”, afirma o BPI.

Esta situação permite “executar gradualmente o programa de investimentos públicos, favorecendo uma absorção saudável pela economia dos elevados rendimentos proporcionados pela indústria extractiva”, adianta.

O aumento das receitas petrolíferas permitiu ainda a Angola nos últimos meses repor o nível de reservas internacionais acima de 25 mil milhões de dólares, que em 2009 e 2010 se situou apenas entre 10 mil milhões e 15 mil milhões de dólares.

Segundo as contas do banco português, que em Angola é o principal accionista do Banco Fomento, a economia angolana cresceu em 2011 mais de 3% e em 2012 prevê-se uma “assinalável aceleração da expansão económica” para próximo de 10%, “beneficiando da entrada em produção de novos poços petrolíferos e pela intensificação da exploração de gás natural”.

A tendência dos próximos anos deverá ser de abrandamento, para 7,5% em 2013 e 5,4% em 2014.

O Fundo Monetário Internacional prevê para Angola um crescimento de 9,7% este ano, abaixo dos 12,8% inscritos no Orçamento de Estado angolano, e de 6,8% em 2013.

Ainda segundo o BPI, a inflação poderá este ano finalmente cair para o nível ambicionado há vários anos pelas autoridades, próximo de 10%.

A desaceleração da inflação tem vindo a acentuar-se desde o final de 2011, favorecendo a política de baixas taxas de juro prosseguida pelas autoridades na colocação de dívida pública. (macauhub)

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