Abertura económica em Angola melhora perspectivas de crescimento

11 December 2017

A abertura económica iniciada pelo novo governo de Angola saído das eleições de Agosto de 2017, nomeadamente nos sectores das telecomunicações e do petróleo, está a melhorar as perspectivas do país no médio prazo levando alguns centros de análise a preverem um crescimento mais acelerado.

Depois de o ministro das Telecomunicações de Angola ter anunciado a abertura de um concurso internacional para atribuição de uma licença a um quarto operador, a par da privatização de 45% da operadora pública Angola Telecom, a Economist Intelligence Unit indicou como provável ir rever as suas previsões de crescimento económico para o país, em virtude da abertura do mercado de telecomunicações, um passo “potencialmente significativo para melhorar o ambiente geral” de negócios.

A EIU prevê actualmente um crescimento de 2,7% para a economia angolana em 2017, que deverá abrandar para 2,4% em 2018, enquanto o Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento de apenas 1,5% este ano, depois de no ano passado, de acordo com estatísticas oficiais, a economia angolana ter estagnado.

A EIU afirma no seu mais recente relatório sobre Angola que deverá haver “interesse significativo no concurso” para o novo operador, dado o potencial do mercado, e que maior concorrência entre operadores deverá levar a serviços de telecomunicações “melhores e mais baratos”, um “desenvolvimento positivo para o sector privado emergente do país e para os esforços no sentido de diversificar a economia do país, evitando a dependência em relação ao petróleo.”

O boletim Africa Monitor Intelligence disse, por seu turno, que a abertura no sector das telecomunicações é vista também entre investidores “como teste à capacidade do novo governo quanto à resolução de constrangimentos à actividade empresarial”, num país onde a ambiente de negócios está entre os piores do mundo, na classificação do Banco Mundial.

No curto e médio prazo, adianta o mesmo boletim, o sector do petróleo manter-se-á como o “motor” da economia e “foi aquele em que os investidores reagiram de forma mais rápida às alterações perspectivadas”, nomeadamente um novo modelo para o sector, preconizado pela nova administração da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), chefiada por Carlos Saturnino.

A reacção envolveu, no espaço de duas semanas, a assinatura de dois acordos pela Sonangol, num caso com a petrolífera italiana ENI, para produção do bloco Cabinda Norte e a colaboração no desenvolvimento de projectos de gás natural, e, no outro, com a francesa Total, para exploração do Bloco 48, em águas ultra-profundas, desenvolvimento do Bloco 17 e a criação de uma empresa em regime de parceria, em partes iguais, para operar na distribuição de combustíveis refinados.

Este acordo prevê a possibilidade de a parceria entrar também na importação de produtos refinados, após a liberalização deste mercado, alargando a colaboração da empresa a todo o ciclo dos combustíveis, e possivelmente abrindo caminho à participação da Total no projecto da nova refinaria em Angola, que o novo Presidente, João Lourenço, pretende retomar, por forma a acabar com o défice de capacidade produtiva.

Os reflexos económicos do novo ciclo político levaram também a consultora Eurasia a elevar a previsão da evolução de Angola para “positiva”, em nota recentemente divulgada.

“Lourenço avançou rapidamente com grandes reformas desde que chegou ao poder”, sublinha a Eurasia, destacando as mudanças de vários dirigentes, bem como a eliminação de situações de favorecimento a algumas empresas, em particular envolvendo a família do ex-Presidente. (Macauhub)

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