Adopção da moeda da China ganha consistência na África Austral

A adopção crescente da moeda da China, o yuan, pelos bancos centrais foi preconizada num fórum sobre gestão de reservas cambiais na África Austral realizado em Harare, Zimbabué, que contou com a participação de 14 países da região, entre os quais Angola e Moçambique.

A porta-voz do Macroeconomic and Financial Management Institute of Eastern and Southern Africa (MEFMI), Gladys Siwela-Jadagu, disse que o Fórum de Harare teve lugar numa altura em que as reservas dos bancos centrais na região estão “grosso modo” em níveis mínimos e que a dívida pública denominada em divisas estrangeiras continua a aumentar, bem como os pagamentos de juros, por os países estarem a recorrer a empréstimos comerciais para financiar a construção de infra-estruturas.

A maior parte das reservas da maioria dos países da região está investido em dólares, não tendo a sua composição acompanhado as mudanças na economia mundial, em particular a ascensão da China e da Índia, que ganharam uma importância particular enquanto parceiros comerciais africanos nos últimos anos.

“A maioria dos países na região Oriental/Austral tem empréstimos ou subvenções da China e faria sentido económico pagá-los em yuans. É por esta razão que é crítico para os decisores políticos elaborar estratégias sobre os progressos que o continente tem feito para adoptar o yuan chinês, que se tornou no que pode ser classificado de moeda comum no comércio com África”, adiantou Siwela-Jadagu, citada pela agência Xinhua.

“Sendo a China o maior parceiro comercial de mais de 130 países, o principal desafio para os países africanos é como beneficiar do novo padrão do comércio internacional”, adiantou.

No fórum participaram representantes de bancos centrais e de governos da região, além de responsáveis do Banco de Desenvolvimento Africano.

A Nigéria assinou em Março um acordo de troca de divisas com a China avaliado em 2,4 mil milhões de dólares, na esteira de outra das grandes economias africanas, a África do Sul, que em 2016 lançou uma primeira plataforma cambial entre o yuan e o rand, para facilitar as trocas entre as duas moedas.

Anteriormente, já o Gana, Nigéria, Maurícias e Zimbabué tinham passado a aceitar o yuan em pagamentos e reservas e o banco central nigeriano já tem mais de 10% das suas reservas estrangeiras em moeda chinesa.

China e Angola assinaram em Agosto de 2015 um acordo oficial que permite a reciprocidade no uso das moedas de ambos os países, o que foi então interpretado pela Economist Intelligence Unit como um resultado da “esperança” angolana de que o maior uso do yuan diminua a necessidade de dólares, escassos no país.

A Região Administrativa Especial de Macau tem vindo a dar passos para assumir um papel na implantação africana do yuan, com o apoio do governo central da China, para que se transforme numa plataforma bancária de compensação da moeda chinesa entre a China e os países de língua portuguesa. (Macauhub)

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