África sem prioridade para Governos do Brasil

As relações económicas com África têm vindo a perder importância para os governos do Brasil, que ignoram o potencial do continente, ao contrário da China e outras economias emergentes, segundo o Instituto Brasil-África (IBRAF).

Numa análise à evolução das relações com África nos últimos governos brasileiros, bem como das propostas dos candidatos às presidenciais de 7 de Outubro, o IBRAF sublinha que o poder político no Brasil deve definir os seus parceiros comerciais no contexto africano, de entre aqueles que “têm mais vocação para estabelecer um diálogo com as empresas brasileiras.”

Também ausente das propostas políticas está “a transferência de tecnologia nacional, o que podia fazer com que as marcas brasileiras a ganhassem terreno no continente africano”, refere o instituto brasileiro.

“Um conjunto de 1,2 mil milhões de pessoas não pode ser negligenciado. Das cinco economias que deverão crescer mais em 2018, quatro estão em África (Gana, Etiópia, Costa do Marfim e Djibuti) segundo o Banco Mundial. A classe média africana deverá aumentar proporcionalmente mais do que nas outras regiões do mundo. Na Nigéria, por exemplo, há mais nascimentos por dia do que na União Europeia como um todo. O que poderia ser um problema pode ser visto como oportunidade”, refere o IBRAF.

“Enquanto a China olha para a África como uma grande agenda, o Brasil vira as costas ao continente. Além da China, a Turquia, o Japão e os Estados Unidos são alguns exemplos de outras nações que já vêem essa oportunidade e fazem investimentos maciços em África”, adianta.

Segundo o IBRAF, o actual governo, de Michel Temer, “não valoriza essa relação” com o continente africano e os candidatos às presidenciais “não apresentam um contraponto à política actual.”

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu prioridade a programas de reaproximação com o continente africano e, entre 2003 e 2011, o ex-presidente fez 13 viagens à África, visitando 28 países, mais do que os seus dois antecessores juntos, e aumentou a rede diplomática africana, hoje com 28 embaixadas.

No governo de Dilma Rousseff, “essas acções perderam intensidade”, segundo o IBRAF, tendo a ex-presidente feito apenas 7 viagens oficiais a países africanos, o que motivou críticas de empresários e diplomatas ao governo por enfraquecer as relações Brasil-África.

Como resposta, Dilma Rousseff anunciou uma agenda para o continente, como a renegociação de 900 milhões de dólares em dívidas de 12 países africanos com o Brasil – a primeira etapa para viabilizar novos negócios e uma reforma na Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

Desde Agosto de 2016, quando assumiu a Presidência, Michel Temer não fez nenhuma viagem oficial ao continente africano até Julho, quando visitou Cabo Verde para a cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a África do Sul para a cimeira dos BRICS.

“A aproximação com a África é uma prioridade permanente, que se traduz em acções concretas para fortalecer os nossos laços e promover o desenvolvimento em ambos os lados do Atlântico Sul”, disse Temer na cimeira dos BRICS.

Entre os poucos projectos brasileiros anunciados em África está a construção de um laboratório que reduzirá o tempo para o diagnóstico da tuberculose em São Tomé e Príncipe e a inauguração do novo centro de formação da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) em Joanesburgo.(Macauhub)

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