Angola e Moçambique, duas economias africanas com muitos desafios de curto prazo

14 May 2018

Angola e Moçambique, as duas maiores economias africanas de língua portuguesa, apresentam elevados desafios de curto prazo, no plano económico e político, de acordo com a avaliação do Índice de Transformação da Fundação Bertelsmann (BTI 2018).

A transformação económica é o aspecto em que Angola tem uma avaliação mais baixa no BTI 2018 (3,68 pontos numa escala de 1 a 10, colocando o país na 108.ª posição entre 129 avaliados), mas a melhor classificação obtida na transformação política e no índice de governação, o país situa-se em 105.º lugar, com 3,94 pontos.

O BTI 2018 adianta que no actual contexto de crise económica e financeira, o MPLA, que lidera o país desde a independência, deve “aproveitar a oportunidade criada com a nomeação de João Lourenço” para Presidente da República para reforçar o diálogo político e a transparência, além de introduzir medidas contra a corrupção.

Uma transição “pacífica” para a nova liderança poderá requerer um compromisso sério com um vasto programa de reformas”, no sentido de reduzir o desperdício de recursos públicos, ineficiência e corrupção.

Tudo isto permitiria “ao governo cumprir as promessas de diversificação da economia”, sendo “crucial que se afaste da dependência das receitas petrolíferas e reinvista receitas no sector social, para mitigar tensões sociais crescentes”, refere o BTI 2018.

Se no caso de Angola a libertação de recursos para a diversificação económica é crucial, Moçambique tem como desafios restaurar a confiança externa, abalada pelo caso das “dívidas ilegais” de 2000 milhões de dólares, cuja descoberta levou à suspensão da ajuda pelos parceiros ocidentais em 2016, agravando a situação económica e financeira, com a dívida pública próxima de 120% do Produto Interno Bruto.

O BTI 2018 defende que o governo terá de “procurar assistência internacional para a reestruturação da dívida pública, estabelecendo ao mesmo tempo mecanismos de responsabilização transparentes.”

A recuperação da confiança dos doadores, adianta, exige a adopção de recomendações do Fundo Monetário Internacional sobre o caso, que passam pela responsabilização dos governantes que conduziram o processo.

Outro desafio realçado pela BTI 2018 é o estímulo da confiança dos investidores e da capacidade de atracção da economia, o que exige “redução de requisitos burocráticos para a criação e gestão de um negócio, encontrando ao mesmo tempo um equilíbrio entre promover um ambiente propício ao investimento e geração de receitas públicas. “

O documento, além de considerar que Moçambique precisa de diversificar a economia, afirma haver outros desafios no plano económico, como a redução da taxa de inflação e a adopção de políticas que fomentem a produção agrícola e reduzam a pobreza.

No BTI 2018, Moçambique surge 10 lugares à frente de Angola, no 95.º lugar, com 4,31 pontos numa escala de 1 a 10, sendo a transformação política o indicador mais forte (83.º lugar geral) e a transformação económica o mais fraco (101.º). (Macauhub)

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