Angola e Moçambique são dois dos países expostos a riscos de sobre-endividamento

20 January 2020

Angola e Moçambique estão entre os países africanos cujos encargos com a dívida os colocam numa situação de risco financeiro, passível de afastar investidores, segundo o Banco Mundial.

No relatório Perspectivas Económicas Globais 2020, divulgado em Janeiro, o Banco Mundial estima que a dívida dos governos na região da África a sul do Saara atinja 62% do Produto Interno Bruto, em média, em 2020, mais de 22 pontos percentuais acima do registado em 2011.

“Este aumento generalizado da dívida pública levou a acentuados aumentos nos encargos com juros e aglomeração de despesas não financeiras, levantando preocupações sobre a sustentabilidade da dívida”, refere o relatório.

Entre os países com elevados encargos da dívida estão Angola, Gana, Moçambique, Namíbia, África do Sul e Zâmbia, sendo “susceptíveis a aumentos repentinos na aversão ao risco do investidor”, refere.

“Isso pode levar a uma considerável depreciação cambial, saídas de capital e aumentos dos custos de empréstimos, pois os prémios de risco aumentam acentuadamente. Onde a dívida é amplamente denominada em moeda estrangeira, fortes desvalorizações da moeda podem tornar o serviço da dívida mais complicado”, adianta o Banco Mundial.

O ministro de Estado angolano para a Economia, Manuel Nunes Júnior, disse recentemente que mais de metade do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2020 de Angola, no valor de cerca de 15 biliões de kwanzas (mais de 27 mil milhões de euros), está consignada para pagar a dívida pública, com um peso de 90% do PIB.

No caso de Moçambique, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a dívida pública tenha subido em 2019 para 108,8% do PIB e que atinja 106,8% em 2020, mantendo-se acima do Produto Interno Bruto até 2023.

O relatório Perspectivas Económicas Globais 2020 coloca ainda Moçambique como um dos países onde os défices em conta corrente mais cresceram, devido a “importações de capital relacionados com grandes projetos de infraestruturas.”

O Banco Mundial reafirma uma revisão em baixa para Angola, apontando para uma contracção do PIB de 0,7% em 2019, “uma vez que a produção de petróleo diminuiu pelo quarto ano consecutivo devido a menores rendimentos de campos em declínio e investimento adiado em nova capacidade.”

“No entanto, o crescimento do sector não petrolífero fortaleceu-se ainda mais com várias reformas importantes e o ambiente de negócios continuou a melhorar”, adianta.

2020 deverá ser o ano de saída da recessão para Angola, estimando-se um crescimento de 1,5%, que deverá acelerar nos anos seguintes.

Esta previsão, refere o relatório, “pressupõe que as reformas estruturais – apoiadas por prudentes políticas monetárias e consolidação fiscal – permitem maior estabilidade macro-económica, e que continue a melhoria do ambiente de negócios e reforço do investimento privado.” (Macauhub)

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