Angola tem crescimento económico adiado para 2021

25 November 2019

Angola voltará a crescer em termos económico apenas em 2021, ano em que a taxa de crescimento da economia deverá situar-se em 2,4%, depois de quebras de 3,8% este ano e de 1,4% em 2020, segundo o mais recente relatório sobre o país produzido pela Economist Intelligence Unit (EIU).

Os anos seguintes constantes do intervalo 2019/2024 abrangido pelo presente relatório deverão presenciar taxas de crescimento económico mais elevadas, como sejam 4,5% em 2022, 3,4% em 2023 e 6,2% em 2024.

O crescimento previsto para 2024 deriva do provável aumento da produção petrolífera, depois de anos consecutivos de queda para valores que nem preenchem o máximo autorizado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo, tendo por exemplo caído para 1,356 milhões de barris por dia em Outubro.

O acordo assinado entre os países membros do cartel estipula que a produção petrolífera de Angola não pode exceder 1,673 milhões de barris por dia, tendo o país sido obrigado a reduzir a produção em 78 mil barris por dia a partir de 1 de Janeiro de 2017 para respeitar o acordado.

O governo de Angola lançou recentemente um concurso público internacional para a atribuição de concessões petrolíferas em 10 blocos das bacias do Namibe e de Benguela, tendo sido validadas as propostas apresentadas pelos grupos Sonangol, ENI e Total e condicionada a apresentada pela Pago Technical Group, Lda, por inconformidades detectadas no preenchimento dos formulários.

A EIU está a antecipar que os investimentos que vão ser efectuados na exploração petrolífera em Angola vão permitir aumentar de forma moderada a produção angolana de petróleo, donde a previsão de aumento do crescimento económico previsto para o último ano do intervalo considerado, sendo que está ainda a antecipar um aumento dos preços do petróleo.

Parte do crescimento previsto será o resultado do crescimento no sector não-petrolífero da economia, com sejam a agricultura, minas, construção, indústria transformadora e serviço que o governo tem estado a procurar apoiar, nomeadamente através da bonificação do crédito ao investimento, uma vez que diversos campos de petróleo estão a ficar esgotados e o investimento necessário para explorar outros em águas ultra-profundas não compensa.

O documento prevê que o fraco crescimento económico previsto para este ano continue a pesar sobre a moeda nacional, o kwanza, cuja taxa de câmbio deverá fechar o ano com 458 kwanzas por cada dólar, sendo que entrará depois numa depreciação constante embora a uma velocidade menor, devendo ser necessários 490 kwanzas para comprar um dólar em 2024.

A taxa de inflação, outro dos indicadores importantes no caso de Angola, deverá situar-se em 17,8% este ano, aumentar para 21,6% em 2020, começando a cair a partir desse ano até alcançar 2024 com uma taxa de 10,4%. (Macauhub)

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