Angola tem potencial para agricultura em grande escala

3 February 2020

Angola apresenta elevado potencial para agricultura em grande escala e pode diversificar a sua economia através deste sector, se conseguir ultrapassar alguns constrangimentos, segundo a Corporação Financeira Internacional (IFC), do Banco Mundial.

Em artigo publicado em Janeiro sobre as mudanças em curso na economia angolana, a IFC afirma que, juntamente com o Banco Mundial, está actualmente a trabalhar em colaboração com o governo angolano e o sector privado agro-industrial em Angola para fortalecer a cadeia de fornecimentos agrícolas, promover investimentos no sector e vincular pequenas empresas aos mercados agrícolas.

Para o representante da IFC em Angola, Hector Gomez Ang, “Angola tem muito potencial para fazer agricultura de alto valor e em larga escala.”

“As recentes reformas desencadearam o espírito empreendedor de Angola, criando um ambiente emocionante e veloz”, afirma o mesmo responsável.

Para estimular o investimento na agricultura e no país em geral, a IFC recomenda reformas abrangentes e regulamentos melhorados, nomeadamente nos sectores de transporte, energia e tecnologias de informação e comunicação.

O Diagnóstico do Sector Privado do País, elaborado pelo Banco Mundial em 2019, revela que as empresas de Angola precisam de maior acesso a divisas, o que “deverá melhorar em breve com a recente liberalização da taxa de câmbio.”

“Na agricultura, especificamente, a maior parte das terras rurais não é formalmente registada ou faz parte de um banco de dados. As cadeias de valor do agronegócio são fracas e mal coordenadas”, segundo o mesmo estudo.

As estradas são outro dos problemas, estando apenas um quinto da rede nacional pavimentada e menos de um terço da população tendo acesso à eletricidade, deixando a maioria das empresas dependentes de geradores a gasóleo.

Os serviços financeiros também são limitados, adianta a IFC, e cerca de 92% das pequenas empresas em Angola não têm acesso ao financiamento, enquanto menos de um terço da população possui contas bancárias.

Apesar da abundância de água doce e terras aráveis ​​de Angola tornarem o país particularmente atraente para investimentos na agricultura, e do crescente mercado  – a população do país é das que mais cresce na África e segundo dados da BMI Research, os gastos com alimentos e bebidas não alcoólicas crescerão 23% entre 2017 e 2021 – “o país poderia estar a produzir muito mais”, refere a IFC.

O fundo de capital privado Angola Capital Partners, escreveu que apenas 10% dos 35 milhões de hectares de terra arável no país estão a ser cultivados.

A IFC identifica um aumento no investimento no sector agrícola de Angola, apontando os casos da retalhista Alimenta Angola, que está a expandir a produção de horticultura para abastecer suas lojas, e da empresa agrícola Nova Agrolider, que a está a investir nas suas explorações agrícolas, registando um aumento das suas exportações de bananas e outros frutos para os mercados europeu e regional.

Também a Angonabeiro, do português grupo Delta, está a investir na produção e processamento de café do país, e a empresa de bebidas Castel Group anunciou recentemente um investimento na produção de milho.

A IFC recorda que Angola já foi um importante produtor e exportador de produtos agrícolas, como café e cana-de-açúcar, mas as exportações quase cessaram na década de 1990 devido aos baixos preços globais e à falta de investimentos. (Macauhub)

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