China participa no desenvolvimento da indústria de gás natural de Moçambique

O primeiro dos dois grandes projectos de gás natural que deverão tornar Moçambique num importante produtor energético a nível mundial, devendo a Ásia e nomeadamente a China assumir-se como o principal mercado para a colocação do produto.

Lançado no início de Junho, o projecto de exploração de gás natural Coral Sul contará com um financiamento de 4,8 mil milhões de dólares montado por 15 instituições bancárias, três moçambicanos e as restantes estrangeiras, com a cobertura de cinco agências de crédito à exportação, incluindo os bancos de Exportações e Importações da China e da Coreia do Sul, Servizi Assicurativi del Commercio Estero (SACE SpA), de Itália, e Compagnie Française d’Assurance pour le Commerce Extérieur (Coface), de acordo com a mais recente edição do semanário moçambicano Savana.

O grupo italiano ENI detém neste projecto uma participação de 50%, a China National Petroleum Company é o segundo maior accionista, com 20% e a Kogas (Coreia do Sul), Galp Energia (Portugal) e Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (Moçambique), 10% cada, estando a ser ultimada a entrada no consórcio do grupo norte-americano ExxonMobil.

Além do lançamento formal do projecto, foram assinados todos os contractos, nomeadamente os relativos à construção e colocação da plataforma de produção e ainda os documentos relativos ao quadro de regulação e de financiamento do projecto, no decurso de uma cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, Filipe Nyusi.

Estiveram presentes os presidentes executivos dos grupos ENI, Claudio Descalzi e do China National Petroleum Corporation (CNPC), Wang Yilin.

O projecto Coral Sul é o primeiro a ser desenvolvido no bloco Área 4 da bacia do Rovuma, que contém reservas estimadas em 450 mil milhões de metros cúbicos (16 biliões de pés cúbicos), sendo que o gás a ser extraído e liquidificado está já vendido ao grupo BP.

A decisão de investimento do outro consórcio envolvido no desenvolvimento da indústria de gás natural, liderado pelo grupo norte-americano Anadarko Petroleum é esperado apenas para o próximo ano.

A Economist Intelligence Unit afirmou recentemente que a indústria de gás natural tem “o potencial de ser um grande motor de crescimento” económico para Moçambique, devendo começar a reflectir-se neste indicador já em 2018.

Contudo, a produção de gás natural em níveis “significativos” deverá acontecer apenas depois de 2021, dada a “complexidade técnica e reguladora dos projectos”, refere a EIU no seu mais recente relatório sobre Moçambique.

Estes projectos, segundo a mesma fonte, estão por detrás de esforço do governo para aproximação a países asiáticos, “em particular a China, um grande credor de Moçambique”, além de países importadores de gás e carvão, como a Índia, Japão e Tailândia, que têm companhias que estão a “investir fortemente” no país.

O boletim Africa Monitor escreveu recentemente que as receitas de vendas de participações nos consórcios – a primeira das quais de cerca de 350 milhões de dólares pela entrada do grupo Exxon Mobil – são também particularmente importantes para o governo. (Macauhub)

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