Apoio financeiro recente da China a Angola ascende a 6 mil milhões de dólares

26 November 2018

O apoio concedido pela China a Angola na sequência da recente visita a Pequim do Presidente angolano atingiu 6 mil milhões de dólares, disse João Lourenço em recente entrevista ao semanário português Expresso.

“Antes mesmo de ir à China, difundiu-se a ideia de que íamos buscar mais de 10 mil milhões de dólares. No regresso, circulou a notícia de que tínhamos conseguido apenas dois mil milhões de dólares. A verdade é que da China trouxemos perto de seis mil milhões de dólares de fontes diversas”, disse o presidente angolano.

Desde o início do seu mandato, Lourenço tem efectuado constantes deslocações ao estrangeiro com o propósito de atrair investimento privado e obter financiamento para o país, que atravessa uma crise económica e financeira prolongada.

O serviço informativo Africa Monitor Intelligence adiantou que, no caso concreto da China, a visita serviu também para apresentar a pretensão de uma renegociação da dívida.

Questionado pelo semanário português sobre novas exigências da China na concessão de crédito, João Lourenço limitou-se a afirmar que Angola se reserva o direito de aceitar, ou não.

“Em relação à maior ou menor exigência nas condições de concessão de créditos, o dono do dinheiro está sempre no direito de impor condições. E se você precisa do dinheiro dele discute e negoceia e, no fim, diz concordo e vamos assinar, ou não concordo e vai bater a outra porta”, afirmou o presidente angolano.

Lourenço reiterou ainda a sua aversão aos empréstimos garantidos por petróleo, forma de concessão de financiamento exigida a Angola por diversos países nos últimos anos.

“Até à presente data, Angola foi buscar financiamentos a vários países, quase sempre com o petróleo como garantia, o que é uma condição gravosa, que também já tive oportunidade de denunciar”, afirmou.

“Estamos neste momento a dar passos para, de futuro, evitarmos ao máximo a contracção de dívida com garantia de petróleo. Portanto, vamos renegociar com os países com quem temos contratos desse tipo”, adiantou.

A renegociação, especificou, não implica “pôr fim, de forma abrupta” aos referidos contratos, enquanto o país aumenta o recurso ao crédito sem garantia de petróleo.

“Já o conseguimos com as euro-obrigações, e vamos conseguir agora com o FMI”, entidade com a qual Angola está a negociar um apoio de 4,5 mil milhões de dólares, adiantou. (Macauhub)

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