Área da Grande Baía poderá impulsionar papel de Macau como “centro de conhecimento”

Macau tem um papel importante a desempenhar como “centro de conhecimento” no projecto da Área da Grande Baía (AGB) Guangdong-Hong Kong-Macau, segundo alguns dos mais destacados investigadores de assuntos sino-lusófonos.

Numa sessão organizada pelo Instituto Internacional de Macau (IIM) a 24 de Outubro, para lançamento do livro “A Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau: O Desafio do Século para Macau”, o facto de a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) ser uma das quatro cidades principais da AGB, junto com Cantão, Shenzhen e Hong Kong foi ponto central das intervenções dos especialistas convidados.

Francisco Leandro, da Universidade Cidade de Macau, disse à Macauhub que “o potencial da grande baía vai revelar-se pelas suas redes – infra-estruturas, laboratoriais, académicas, económicas, institucionais, industriais, tecnológicas, de investimento, de consumo e de produção – e pelas necessidades de mercado a estas associadas.”

“São precisamente estas necessidades a base da cooperação China, RAEM e países de língua portuguesa”, realçou.

Neste contexto, segundo Leandro, a RAEM deverá ser uma plataforma comercial, multisectorial de base multicultural com 5 dominantes – plataforma cultural de dominante chinesa, plataforma de serviços financeiros e jurídicos, plataforma económica e comercial, plataforma para o ensino e para o conhecimento e plataforma para as relações externas internacionais.

“Macau tem de ser excelente – muito além do jogo – na cultura, na economia, nas finanças, no direito e no ensino. Macau tem de ser o que sempre foi, mas desta vez com a arte de entender a oportunidade de contribuir para a realização dos sonhos da China”, disse à Macauhub.

Para Luís Sales Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM), a RAEM “tem imensas responsabilidades na concretização da iniciativa e terá de trabalhar afincadamente e sem hesitações para cumprir as funções que lhe estão destinadas.”

“Para a RAEM poder cumprir as suas funções deverá apostar mais na sua abertura ao exterior, nomeadamente tornando-se no ponto de referência na China, para as relações culturais e académicas não só com os países de língua portuguesa, mas também com os de língua espanhola, dada a facilidade de se fazer a ligação a partir de Portugal e do Brasil, com o mundo ibérico”, adiantou Sales Marques à Macauhub.

Para o responsável do IEEM, as empresas e profissionais de Macau “poderão beneficiar do mercado da Grande Baía e das relações” que a região tem, mas tal implica “abrir mais o mercado de trabalho (da RAEM) e promover a fixação de profissionais da região e do estrangeiro com elevadas capacidades, para ajudar o seu próprio desenvolvimento e diversificação da economia.”.

A mesma necessidade de maior capacidade de atracção de “talentos”, quadros altamente qualificados, nomeadamente removendo obstáculos existentes, foi vincada no evento do Clube Militar de Macau pelo presidente do IIM, Jorge Rangel.

A investigadora Fernanda Ilhéu, do Instituto Superior de Economia e Gestão (Portugal) e da Associação dos Amigos da Nova Rota da Seda, sublinhou que a iniciativa Faixa e Rota “pretende reduzir barreiras e colocar os países a trabalhar em conjunto, aproveitando a complementaridade das suas vantagens competitivas, com um novo espírito baseado no conhecimento, relacionamento, confiança e cooperação”.

“Macau na Área da Grande Baía terá um papel importante na iniciativa Faixa e Rota se for um centro excelente de conhecimento, relacionamento e cooperação da China com os países de língua portuguesa e os países do Sudeste Asiático”, disse à Macauhub.

O livro “A Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau: O Desafio do Século para Macau”, coordenado por Gonçalo César de Sá, tem como autores José Luís Sales Marques, Paulo Figueiredo, Louise do Rosário e Mark O’Neill. (Macauhub)

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