Assistência internacional apoia retoma da economia de Angola

13 November 2017

Angola está a receber apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) para normalizar o acesso dos seus bancos aos mercados monetários internacionais, um primeiro passo, de acordo com analistas, para um acordo de assistência mais abrangente.

O ministro angolano das Finanças, Archer Mangueira, confirmou em entrevista recente que o governo está a avaliar um novo programa do FMI, acrescentando que ainda não está decidido se incluirá financiamento.

O objectivo, segundo o ministro do novo governo de João Lourenço, é apoiar a melhoria da situação macro-económica, a consolidação orçamental, o ajustamento monetário e cambial e a promoção de investimentos.

Com as negociações numa fase inicial, a Economist Intelligence Unit afirma que um “envolvimento mais profundo (do FMI) através de um programa formal seria positivo para o país” e que as suas previsões para a economia angolana irão reflectir uma maior probabilidade de reforma, caso haja um acordo de assistência, com ou sem financiamento.

A questão, adianta, é a disponibilidade das autoridades para “adoptar as duras reformas – e transparência”, em consequência de um acordo, refere a EIU no seu relatório de Outubro sobre Angola.

O governo endereçou em Abril de 2016 um pedido formal de assistência do Fundo, mas três meses mais tarde abandonou as negociações para um mecanismo de financiamento alargado (EFF), programa de três anos que permitiria aceder a um máximo de 4,5 mil milhões de dólares.

O chefe da missão do FMI para Angola, Ricardo Velloso, esteve em Angola na semana passada, para consultas ao abrigo do Artigo IV, poucas semanas depois de o Fundo ter anunciado que vai apoiar o Banco Nacional de Angola (BNA) no processo de adequação da instituição “às normas e boas práticas internacionais”, cujo incumprimento levou ao fim das relações com bancos correspondentes, em 2016, agravando a crise cambial, ao cortar o acesso da banca à compra de dólares.

O Africa Monitor Intelligence escreveu recentemente que, no actual contexto de dificuldades económicas, medidas tendentes ao reforço da atractividade do país na captação de investimento estrangeiro e de melhoria da imagem externa são consideradas prioritárias, sobretudo em círculos financeiros.

De acordo com a mesma fonte, as ajudas do FMI à balança de pagamentos são consideradas cruciais e, entre as principais medidas esperadas num futuro acordo, está a desvalorização do kwanza, não havendo disponibilidade do FMI para apoiar o programa do governo sem uma intervenção no mercado cambial (30% de desvalorização até ao final de 2017 ou no primeiro trimestre de 2018).

As reservas internacionais atingiram recentemente mínimos históricos, devido à venda de divisas aos bancos comerciais por parte do Banco Nacional de Angola. (Macauhub)

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