Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas reforça intervenção em África e na América do Sul

O Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas, que tem entre os seus membros Timor-Leste e Portugal, pretende reforçar a sua intervenção em África e na América do Sul, afirmou recentemente o presidente da instituição financeira sediada na China.

Em entrevista ao jornal de Hong Kong South China Morning Post, a propósito do segundo aniversário do banco, Jin Liqun revelou que os desembolsos já atingiram 4 mil milhões de dólares, repartidos por 24 projectos financiados e que em análise está agora o alargamento do âmbito regional de intervenção.

“Há que dar atenção para apoiar os países-membros africanos. A Ásia está-se a desenvolver rapidamente, mas não pode sustentar-se bem sem colaborar estreitamente com os países africanos”, afirmou o presidente do banco.

Jin Liqun adiantou haver vários países sul-americanos que se juntaram (ao banco), “achando nós que será muito bom financiar alguns projectos de rendimento médio na América do Sul, juntando a América do Sul e a Ásia, reduzindo os custos de transporte e transacção entre os dois continentes.”

A intervenção do banco centrou-se na Ásia nos dois primeiros anos de funcionamento, sendo a excepção alguns investimentos no Egipto e em Omã.

Na entrevista, Jin Liqun refere ainda que será inevitável que alguns dos projectos com intervenção do banco asiático coincidam com a estratégia “Uma Faixa, Uma Rota”, devido à escala da iniciativa, que abrange mais de 60 nações.

Portugal está entre os países que se têm esforçado por atrair projectos ligados à estratégia chinesa, em particular para o porto de Sines, no sul do país.

A China é o maior accionista do banco, com mais de 26% do capital, mas outros grandes accionistas incluem a Rússia, com cerca de 6,0%, detendo os membros regionais quase 76% do capital.

Timor-Leste juntou-se ao grupo dos membros regionais no final de Novembro do ano passado, com uma quota de 0,21%.

Entre os membros não-regionais está Portugal, com uma quota de 0,31%, bem como alguns dos maiores países da União Europeia, como Alemanha, Reino Unido e França.

O banco tem por missão o investimento em projectos ligados ao desenvolvimento da Ásia, o que também contempla investimentos fora do continente para promover o crescimento económico asiático.

Entre esses projectos estão portos e linhas de caminho-de-ferro em África e na América Latina, que melhorem infra-estruturas por onde passe o comércio com a Ásia.

Com um capital de 100 mil milhões de dólares, a instituição multilateral conta actualmente com 80 países-membros e com dezenas de membros “prospectivos”, entre os quais o Brasil. (Macauhub)

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