Banco de Desenvolvimento da China e China EximBank devem contemplar sustentabilidade em projectos da nova Rota da Seda

21 May 2018

O Banco de Desenvolvimento da China (BDC) e o Banco de Exportações e Importações da China (EximBank), veículos financeiros centrais à estratégia “Uma faixa, uma rota”, trabalham cada vez mais com instituições financeiras multilaterais e devem reforçar a sustentabilidade nos novos projectos, defendem três investigadores da organização não-governamental Chatham House.

No artigo “O papel dos investidores na promoção de infra-estruturas sustentáveis ao abrigo da iniciativa Uma faixa, uma rota”, os investigadores Alison Hoare, Lan Hong e Jens Hein fazem um levantamento das políticas do BDC e Eximbank em investimentos no exterior, concluindo que o seu financiamento para infra-estruturas inclui empréstimos em condições preferenciais a governos estrangeiros, empréstimos e créditos à exportação para empresas chinesas que operam no exterior e investimentos em fundos de capital privado.

Estes bancos, adiantam “são capazes de influenciar como as empresas gerem os riscos ambientais e realizam aquisições” e “estão a trabalhar cada vez mais com as instituições financeiras internacionais” em projectos da iniciativa ‘Uma faixa, uma rota’, procurando harmonizar as suas políticas.”

No estudo, divulgado este mês, os investigadores deixam um conjunto de recomendações aos bancos de investimento da China, sobretudo que incentivem os credores do governo a adoptar contratos públicos sustentáveis.

Os bancos “deveriam deixar explícito que os critérios de sustentabilidade podem ser considerados por credores do governo como parte de avaliações de valor para projectos de aquisição de infra-estruturas”, referem.

“Este modelo indica a capacidade da China de influenciar as decisões de aquisição dos governos”, referem ainda.

Aos bancos multilaterais e instituições de financiamento ao desenvolvimento é recomendado que exijam que os credores adoptem compras sustentáveis para todas as cadeias de abastecimento de alto risco nos projectos.

O presidente do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa afirmou em conferência recentemente realizada em Lisboa que projectos empresariais envolvendo a China e países de língua portuguesa têm estado a receber financiamento oficial chinês, mas que o aprofundamento desta cooperação, na “era” da “Nova rota da seda”, exige mecanismos financeiros inovadores.

Chi Jianxin adiantou que “a iniciativa Uma faixa, uma rota é altamente compatível com os planos de desenvolvimento de muitos países de língua portuguesa e tem forte complementaridade em termos de capital, tecnologia, recursos, mercados, etc., estimulando novas oportunidades de expansão comercial, económica e cooperação de investimento entre a China e aqueles países.”

O responsável do fundo afirmou ainda que a cooperação comercial e de investimento entre a China e outros países e regiões de língua portuguesa também está a aumentar, tendo-se a China tornado um dos mais importantes parceiros comerciais com a balança comercial a superar em 2017, pela primeira vez, 100 mil milhões de dólares. (Macauhub)

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