Banco dos BRICS abre-se a financiamento a países não-membros

20 August 2018

O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), instituição financeira criada pelos países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) está agora disponível para financiar países não-membros, assumindo-se como uma fonte de financiamento de projectos público-privados.

O assunto foi abordado durante a mais recente cimeira dos BRIC, em Joanesburgo no final de Julho, que contou com a presença dos presidentes de Angola, João Lourenço e de Moçambique, Filipe Nyusi, dois países que procuram diversificar o seu acesso a fontes de financiamento, para projectos de investimento.

Luwellyn Landers, vice-ministro sul-africano das Relações Internacionais e Cooperação afirmou durante a Cimeira que o NBD está disponível para financiar todos os países, incluindo os não-membros dos BRIC, e que para tal pode apoiar parcerias público-privadas através de empréstimos, garantias, participações accionistas e outros instrumentos financeiros.

De acordo com o mesmo responsável, o departamento africano do NBD irá avaliar os projectos neste continente.

A África do Sul preside aos BRIC em 2018, cedendo o lugar ao Brasil no próximo ano.

A cimeira de Joanesburgo contou com a presença dos presidentes brasileiro, Michel Temer, e chinês, Xi Jinping, que efectou uma visita de Estado prévia à África do Sul, maior economia do continente.

Durante a Cimeira, o NBD aprovou dois projetos, um para a África do Sul e outro para a China, ambos com empréstimos no valor agregado de 600 milhões de dólares, para além de ter reunido com o Conselho Empresarial do BRICS.

O NDB irá fazer um empréstimo de 300 milhões de dólares, sem garantia soberana, ao Banco de Desenvolvimento da África do Sul (DBSA – Development Bank of Southern Africa) para um projeto de redução de emissões de gases de efeito estufa e desenvolvimento do setor energético, e outro empréstimo de igual montante para um projeto na China, de construção do Metro de Luoyang.

Com a aprovação dos dois novos projetos, o portfólio de empréstimos do banco subiu para 23 projetos, no valor agregado de 5,7 mil milhões de dólares, grande parte financiamento de energia e infraestruturas.

Segundo o presidente do NDB, K.V. Kamath, até ao final deste ano, as aprovações totais irão atingir cerca de 7,5 mil milhões de dólares.

“A nossa orientação é a de financiar infraestrutura convencional, bem como utilizar tecnologias transformadoras ao serviço do desenvolvimento. Além do conjunto tradicional de produtos de concessão de crédito, começaremos a oferecer produtos financeiros não relacionados a financiamentos, tais como garantias e melhoria de crédito. Iremos trabalhar com velocidade, escala e causar um impacto positivo, de forma rápida e eficaz”, afirmou o presidente do NBD.

O presidente do NDB, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, e o ministro da Fazenda do Brasil, Eduardo Refinetti Guardia, vice-presidente do Conselho de Governadores do Banco, assinaram ainda um acordo para sedear o Escritório Regional das Américas (ARO – Bank Americas Regional Office) do NBD no Brasil. (Macauhub)

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